terça-feira, 24 de agosto de 2010

O DRAGÃO




"Finalmente chegamos ao alto de uma montanha que eu nunca vira antes, no cimo da qual havia um jardim. No meio do jardim havia uma nascente de água. Vi que era uma nascente porque a água brotava do fundo, mas era muito maior do que a maioria das nascentes – parecia uma grande piscina redonda, para a qual se descia em degraus de mármore. Nunca tinha visto água tão clara e achei que se me banhasse ali talvez passasse a dor na pata. Mas o leão me disse para tirar a roupa primeiro. Para dizer a verdade, não sei se falou em voz alta ou não. Ia responder que não tinha roupa, quando me lembrei que os dragões são, de certo modo, parecidos com as serpentes, e estas largam a pele. “Sem dúvida alguma é o que ele quer”, pensei. Assim, comecei a esfregar-me, e as escamas começaram a cair de todos os lados. Raspei ainda mais fundo e, em vez de caírem as escamas, começou a cair a pele toda, inteirinha, como depois de uma doença ou como a casca de uma banana. Num minuto, ou dois, fiquei sem pele. Estava lá no chão, meio repugnante. Era uma sensação maravilhosa. Comecei a descer à fonte para o banho. Quando ia enfiando os pés na água, vi que estavam rugosos e cheios de escamas como antes. “Está bem”, pensei, “estou vendo que tenho outra camada debaixo da primeira e também tenho de tirá-la”. Esfreguei-me de novo no chão e mais uma vez a pele se descolou e saiu; deixei-a então ao lado da outra e desci de novo para o banho. E aí aconteceu exatamente a mesma coisa. Pensava: “Deus do céu! Quantas peles terei de despir?” Como estava louco para molhar a pata, esfreguei-me pela terceira vez e tirei uma terceira pele. Mas ao olhar-me na água vi que estava na mesma. Então o leão disse (mas não sei se falou): “Eu tiro a sua pele”. Tinha muito medo daquelas garras, mas, ao mesmo tempo, estava louco para ver-me livre daquilo. Por isso me deitei de costas e deixei que ele tirasse a minha pele. A primeira unhada que me deu foi tão funda que julguei ter me atingido o coração. E quando começou a tirar-me a pele senti a pior dor da minha vida. A única coisa que me fazia agüentar era o prazer de sentir que me tirava a pele. Tirou-me aquela coisa horrível, como eu achava que tinha feito das outras vezes, e lá estava ela sobre a relva, muito mais dura e escura do que as outras. E ali estava eu também, macio e delicado como um frango depenado e muito menor do que antes. Nessa altura agarrou-me –não gostei muito, pois estava todo sensível sem a pele – e atirou-me dentro da água. A princípio ardeu muito, mas em seguida foi uma delícia. Quando comecei a nadar, reparei que a dor do braço havia desaparecido completamente. Compreendi a razão. Tinha voltado a ser gente." texto retirado do livro "Viagem do Peregrino da Alvorada" do autor C.S. Lewis

Este parte do livro mostra um momento, onde um garoto chamado Eustáquio, por causa de magia, havia se tornado um dragão, e não tinha possibilidade alguma de retornar a ser humano. Então eis que Aslam( o leão, uma alegoria de Deus na história ) aparece, e o leva a um lago, e eis que por mais que Eustáquio tentasse se livrar da pele de dragão, somente pela força e com a ajuda do Leão é que ele consegue se ver limpo e livre, não como antes, mas de uma maneira muito melhor.

Contextualizando, quantas vezes não nos encontramos na mesma situação que o garoto? Temos manias, vícios, vontades, idéias, atitudes que nos acompanham por um bom tempo já, fazem até parte de nós, mas que incomodam, machucam, tiram nosso sono, dão nojo, levam a entrarmos em crise, pois por mais que tentemos vencer essas dificuldades da nossa alma, não conseguimos, prosseguimos presos, acorrentados. E já não temos mais forças para lutar, para resistir, para caminhar em paz.

Mas eis que o Leão da tribo de judá, Jesus, aparece, Ele sabe o quanto tem sido difícil para você acordar todo dia, sabendo que tudo se repetirá, achando que não tem mais jeito, derrotado. Então Ele vem, sem julgá-lo, nem condená-lo, toma-o pelas mãos, e Ele sabe de tudo aquilo que o tem feito sentir-se como um dragão, desajustado, feio, sujo, discriminado, doente, triste, e ao ver isto enfia suas garras em nossa pele de dragão, alcançando lugares que nós mesmos imaginávamos que seria impossível chegar, no mais fundo do nosso coração, e arrancando tudo aquilo que nos impedia de sermos LIVRES.

Sim, isto vai doer, pois nós levantamos obstáculos, barreiras, em nossos corações, e é necessário que sejam quebrados, e arrancada toda sujeira, como quando retiramos um espinho de nossa pele, que quanto maior e mais fundo ele está, mais dói para tirar, mas ao mesmo tempo, o alívio e o prazer quando se vê livre daqui-lo é maravilhoso. E é isso que Deus quer fazer com você, quer alcançar seu coração e fazer consertar tudo aquilo que você sempre quis mudar mas que não tem, nem nunca teve, forças e capacidade para fazer, mas que o sempre o humilhou, e prendeu, e agora Ele te limpa, cura suas feridas, e faz novo, Basta você parar e ouvir a voz dEle te chamando.

"Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve" Salmos 51:7

Um comentário:

  1. Carebee.. tá ficando bom nisso heim?
    palavra muito boa, muito bem escrito..
    mas acima de tudo, palavra que toca e vivifica! Que Deus continue te ungindo para pregar o evangelho! :D

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