sábado, 31 de dezembro de 2011

PAZ.



  (obra "Os Retirantes" de Cândido Portinari) 


Tempos como estes nunca mais viveremos, nunca mais veremos. Sinto os ventos a soprar. Eles batem em meu rosto. Lembram-me que as nuvens vem ao longe, já não tão distante. O Sol está à espera. Algo nunca antes visto na minha história. As férias acabaram, é o início de uma vida. A brincadeira acabou, a festa terminou. Agora é trabalho. É a luta que se inicia. Graças a Deus. O marasmo já não existe.
     Tempos nebulosos se aproximam. Tempos onde o silêncio será ordenado e que não iramos nos calar. Sinto a tempestade a se aproximar. E abro um sorriso. É a hora, esta é a nossa hora. Onde não poderemos mais ficar sentados a espera da banda passar. Não há espaço para preguiçosos e sonolentos, acomodado. Fim do mundo? Talvez seja um recomeço. Marcado não por panelaços (como os dos nossos hermanos) ou marcha GLBT, ou marcha pra Jesus, ou a favor da maconha. Sinto que o barril está quase que cheio de pólvora. A situação caminha para um caminho sem volta. Nossa nação não será mais a mesma, nossa igreja será Igreja de Cristo, com I maiúsculo. Não virá nada de graça. Haverá perdas, suor e lágrimas.
     Já posso ouvir o som das águas a caírem, ao longe não tão longe. Os trovões como tambores anunciam a batalha. Um batalha que já começou, silenciosa, há algum tempo. Mas que se mostra quase pronta a ganhar voz, as ruas. Infelizmente, ou feliz, mudanças reais e necessárias nunca surgem de forma pacífica, de comum acordo. Não há vitória sem luta, não há ganho sem perda, não há vida sem morte. É necessária matarmos aquilo que nos aflige, nos tem calado, angustiado. Chega de sistemas impostos e ditatoriais, chega de sermos apenas massa a se tornar o pão que o diabo amassou. Não mais. Abram os olhos, destampem os ouvidos. A chuva chegou. Veio lavar nossa alma, levar nossos orgulhos, nossos egos. É necessário estarmos nus para tempos como estes, onde não haverá roupas, fantasias, mascaras, apenas armaduras.
     Chuva, tire a sujeira de meus olhos. Não quero continuar cego para a minha realidade. Não quero continuar surdo para as vozes que clamam socorro. Não quero ficar calado diante de ouvidos que só tem escutado o conforto, e não o confronto. Raios e trovões, abalem as estruturas. Acabe o marasmo. Cessem os aplausos. Até quando não incomodaremos? Até quando seremos tão coniventes, complacentes, e amigos da situação deprimente em que se encontra nosso país, que apareceremos como estrelas na máquina de dominação social chamada televisão (principalmente na maior emissora, e mais manipuladora)? Até quando faremos pacto com o diabo para teoricamente anunciarmos o evangelho de Cristo? Até quando nos preocuparemos com holofotes e não com a fome, material, emocional e espiritual que nos cerca? Até quando vamos nos prostituir em busca de poder ao invés de amarmos os que estão ao nosso redor?
     Espero que não neste ano. Não disse acima o que acredito que irá acontecer ano que vem, mas é o que quero que já tenha começado, e que aumente ainda mais. Queria ver uma geração inconformada com essa merda onde estamos mergulhados, e que nos fazem acreditar que é um mar de rosas. Uma geração, cristã neste caso, que não irá se vender, não se acomodará e passará do banco da igreja não pro púlpito mas para as ruas, para COMEÇAR a morrer, e deixar que Cristo viva através de nós. Quero poder olhar e sorrir, ao ver a luta a acontecer em nossa terra. Não quero sangue, mas quero que este sistema de dominação e marginalização morra através de nossas mãos, de nossas orações e de nossas ações. Espero ver que esse sistema de caudilhos, ou coronéis (depende da região em que vive) dentro da igreja, e no comando de nosso país, seja questionado e enfrentado. Não com rebeldia, mas com consciência de que a culpa de perpetuação da injustiça social, econômica e racial é culpa nossa, de nosso silêncio, de nosso conforto aparente.
     Não desejarei votos de paz, saúde e alegrias para você. Desejo mudanças, consciência, ação e choro. Choro pelas vidas que estão sendo tragadas pela nossa situação alienada, hedonista e egoísta.
     Que em 2012 não fiquemos com essa paz industrializada que não quero, “Pois paz sem voz, não é paz, é medo.”. Que a Paz, a verdadeira Paz de Cristo inunde seu coração, e que possamos levar essa paz a nossa realidade, através de ações, e não apenas boa vontade.

     Feliz Ano Novo pra você que sabe que a vida não é um conto de fadas.
“Pois as suas mãos estão manchadas de sangue, e os seus dedos, de culpa. Os seus lábios falam mentiras, e a sua língua murmura palavras ímpias.
Ninguém entra em causa com justiça, ninguém faz defesa com integridade. Apóiam-se em argumentos vazios e falam mentiras; concebem maldade e geram iniqüidade.
Chocam ovos de cobra e tecem teias de aranha. Quem comer seus ovos morre, e de um ovo esmagado sai uma víbora.
Suas teias não servem de roupa; eles não conseguem cobrir-se com o que fazem. Suas obras são más, e atos de violência estão em suas mãos.
Seus pés correm para o mal, ágeis em derramar sangue inocente. Seus pensamentos são maus; ruína e destruição marcam os seus caminhos.
Não conhecem o caminho da paz; não há justiça em suas veredas. Eles as transformaram em caminhos tortuosos; quem andar por eles não conhecerá a paz.
Por isso a justiça está longe de nós, e a retidão não nos alcança. Procuramos, mas tudo é trevas; buscamos claridade, mas andamos em sombras densas.
Como o cego caminhamos apalpando o muro, tateamos como quem não tem olhos. Ao meio-dia tropeçamos como se fosse noite; entre os fortes somos como os mortos.
Todos nós urramos como ursos; gememos como pombas. Procuramos justiça, e nada! Buscamos livramento, mas está longe!
Porquanto são muitas as nossas transgressões diante de ti, e os nossos pecados testemunham contra nós. As nossas transgressões estão sempre conosco, e reconhecemos as nossas iniqüidades:
Rebelar-nos contra o Senhor e traí-lo, deixar de seguir o nosso Deus, fomentar a opressão e a revolta, proferir as mentiras que os nossos corações conceberam.
Assim a justiça retrocede, e a retidão fica à distância, pois a verdade caiu na praça e a honestidade não consegue entrar.
Não se acha a verdade em parte alguma, e quem evita o mal é vítima de saque. Olhou o Senhor e indignou-se com a falta de justiça.
Ele viu que não houve ninguém, admirou-se porque ninguém intercedeu; então o seu braço lhe trouxe livramento e a sua justiça deu-lhe apoio.
Usou a justiça como couraça, pôs na cabeça o capacete da salvação; vestiu-se de vingança e envolveu-se no zelo como numa capa.
Conforme o que fizeram lhes retribuirá: aos seus inimigos, ira; aos seus adversários, o que merecem; às ilhas, a devida retribuição.
Desde o poente os homens temerão o nome do Senhor, e desde o nascente, a sua glória. Pois ele virá como uma inundação impelida pelo sopro do Senhor."O Redentor virá a Sião, aos que em Jacó arrependerem-se dos seus pecados", declara o Senhor.  
"Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles", diz o Senhor. "O meu Espírito que está em você e as minhas palavras que pus em sua boca não se afastarão dela, nem da boca dos seus filhos e dos descendentes deles, desde agora e para sempre", diz o Senhor.”

Isaías 59: 3-21

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

TEMPOS DE MUDANÇA



Realmente espero que os tempos mudem, que o vento da revolução toque em nossos rostos e nos acorde para a vida.

"Venha pessoal
Por onde quer que andem
E admitam que as águas
Á sua volta aumentaram (cresceram)
E aceitem que logo
Estarão cobertos até os ossos
Se seu tempo para você
Vale a pena ser poupado
Então é melhor começar a nadar
Ou irá se afundar como uma pedra
Pois os tempos estão mudando

Venham escritores e críticos
Aqueles que profetizam com sua caneta
E mantenham seus olhos abertos
A chance não virá novamente
E não falem tão cedo
Pois a roda ainda está girando
E não há como dizer
Quem será nomeado
Pois o perdedor de agora
Mais tarde vencerá
Pois os tempos estão mudando

Venham senadores, congressistas
Por favor, escutem o chamado
Não fiquem parados no vão da porta
Não congestionem o corredor
Pois aquele que se machuca
Será aquele que nos impediu
Há uma batalha lá fora
E está rugindo
E logo irá balançar suas janelas
E fazer ruir suas paredes
Pois os tempos estão mudando

Venham mães e pais
De toda a terra
E não critiquem   
O que não podem entender
Seus filhos e filhas
Estão além de seu comando
Sua velha estrada
Está rapidamente envelhecendo
Por favor, saiam da nova
Se não puderem dar uma mãozinha
Pois os tempos estão mudando

A linha foi traçada
A maldição foi lançada
E lento agora
Será o rápido mais tarde
Assim como o presente agora
Será mais tarde o passado
A ordem está
Rapidamente se esvaindo
E o primeiro agora
Será o último depois
Pois os tempos estão mudando"


(tradução da música acima, The Times They Are A-Changin', do Bob Dylan)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

MISSÃO INTEGRAL

Creio que TODOS nós precisamos ouvir esta palavra.


Deus tenha misericórdia de nossas vidas.


"De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo?
Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia
e um de vocês lhe disser: "Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se", sem porém lhe dar nada, de que adianta isso?
Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.
Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras.
Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem!"

Tiago 2:14-20



Paulo Cappelletti - O que é Missão Integral - 10-12-2012 from Ariovaldo Ramos on Vimeo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

MEDO DO ESCURO.




5 anos. Era a idade dele. Uma criança comum. O nome de sua certidão de nascimento não importava, todos conheciam era o Menino, só os mais íntimos o chamavam de Zé. Era daqueles garotos que vivem correndo por aí. Não tinha nada que chamasse atenção ao bater o olho nele. Cabelos escuros, tigelinha, só os óculos que lhe saltavam as vistas.
Família Cristã protestante. Da denominação não me lembro. Papai, mamãe, irmã. Não eram tantos que moravam em sua casa, mas muitos viviam lá. Pais amorosos, que erravam, acertavam (mais que erravam). Uma boa família para se ter.
O menino era alegre, sempre com um sorriso sincero, um riso fácil, uma piada pronta. Levado na medida certa, que lhe rendia primorosas palmadas. Gostava mais de jogar bola do que televisão, mais ainda de sonhar, matar dragões, salvar princesas, prender bandido. Destemido, queria fazer parte da mesa redonda do Rei Arthur.
Seu dia era simples. Pela manhã no Jardim III (Talvez hoje seja pré, ou 0,1ª série, -5º ano, sei lá). Almoço. Brincar. Banho. TV. Janta. Orar. “Em paz me deito e logo pego no sono porque só o SENHOR me faz repousar seguro. Dormir.
O problema estava aí. Depois de “seguro” e antes de dormir. Ao apagar as luzes seu sofrimento começava. As trevas avançavam rapidamente por seu quarto, ele estava no tenebroso escuro. Um submundo desconhecido, cheio de monstros, bichos-papões, cucas, fantasmas.
Neste momento suava frio, engolia o choro. Olhos fechados, o sono parece também ter se assustado e fugido. Não tinha força para lutar, era pior do de dragões e maribondo bravo, juntos.
Todos os dias a cena se repetia. Só era feliz em dia de visita, ia dormir enquanto a casa estava cheia de vozes e luz. Infelizmente, para ele, nem todo dia é assim, na verdade a minoria é deste jeito.
Noite de tempestade. Zé acuado no canto da cama, não agüenta, e expõe seu medo. Choro. A água escorre na janela e as lágrimas pelo rosto. Passos. Monstros? Não, é seu herói. Papai, mesmo sonolento, veio lhe salvar. Mágica, luzes acesas.
Por que o choro? A história confidenciada ao chefe. O pai não faz pouco caso dos monstros, ele sabe que eles existem, só não vai assustar o moleque.

-Vem cá filhão, vou te contar uma coisa. Existe uma arma contra a escuridão: a Luz, ela bate na escuridão, até ela se afastar e fugir. Jesus, disse que somos luz neste mundão, e que a Luz dEle brilha em nós, e você sabe, tem alguém mais forte que Ele? Não, NE Zé Mané!? Então, deita aí meninão, e quando for ficar com medo, lembre: a escuridão não pode com Cristo, e Ele está aí, no seu coração, a brilhar.
    Um Beijo na testa. Levanta-se e vai sair. O menino, de tão ingênuo, acreditou sem pestaneja em tudo o que o pai falará, não havia duvida alguma que era verdade. Mas o engraçado é que ao ver a porta fechar, o agora José, não tinha mais medo do escuro, era a escuridão que o temia agora. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

AQUELE ABRAÇO




Ahhhh... O Rio de Janeiro continua lindo... E a vida continua vida.  E se foi mais um ano. A vida continuou sendo vida, sendo boa, sendo dura, sendo bela, sendo feia, sendo injusta, sendo muito, sendo pouco, sendo hmmm... Sendo.  No gerúndio mesmo, horrível estilisticamente, mas é assim, no agora, todo dia, que a vida se faz.
Não vou ficar aqui com votos de feliz ano novo, com sermão sobre o que passou, com resumo do meu ano, dos acontecimentos. Não quero retrospectiva, pra vocês deixo Aquele Abraço.

Aquele abraço, meus velhos, e bons, amigos
Aquele abraço, meus novos, e ótimos, amigos
Aquele abraço, para você que lê e gosta dos textos daqui
Aquele abraço, para você que, sabidamente, não gosta e é sincero
Aquele abraço, para você que me esqueceu
Aquele abraço, para você que orou por mim
Aquele abraço, e não maldição, pra você que não orou
Aquele abraço, para você que chorou comigo, que deu bronca quando precisei
Aquele abraço, meu pai, minha mãe, minha irmã
Aquele abraço, pra nossos políticos corruptos de... Bom senso.
Aquele abraço, para os religiosos de plantão, pois se não os citasse ficariam magoados
Aquele abraço, para você que entra e não cabe
Aquele abraço, para aqueles que não têm o que comer, talvez alguém se lembre de vocês nesse fim de ano
Aquele abraço, para quem sofre calado
Aquele abraço, para quem precisa de um ombro amigo
Aquele abraço, para você que tem feridas na alma
Aquele abraço, companheiras e companheiros
Aquele abraço, para você que se levanta da cadeira e faz algo de verdade
Aquele abraço, para você que vê, mas não cala
Aquele abraço, alô, alô Realengo, a cena mais triste do ano
Aquele abraço, para todos os pais e mães que lavam os pés de Jesus com lágrimas pela vida de seus filhos
Aquele abraço, Aqueeeeeele Abraço para todos vocês que todos os dias vivem, sofrem, choram, sorriem, divertem, machucam, caem, levantam, dormem, acordam, oram, pregam, comem, tomam banho, vocês verdadeiros cristãos comuns, sem palcos e holofotes.
Aquele abraço, para você, 2011 que fica para trás, não no passado, mas na memória.


#AqueleAbraço

sábado, 10 de dezembro de 2011

O CAFÉ.




Café. Esse sim, a grande paixão nacional. Em um certo momento da nossa história foi fonte de riqueza. Hoje se pode dizer que se não gostam, pelo menos todos já provaram aquela deliciosa bebida amarga.
    Me pego pensando em como aquele grãozinho marrom escuro, pequeno (depois de torrado) pode fazer tanto sucesso? Tanto que se fala café-da-manhã, café-da-tarde, tomar um cafezinho, “ele é café com leite”, é tanta expressão que o tem no meio que não cabem aqui. É algo cultural, um agente transformador da sociedade. Mais do que apenas um gosto, uma iguaria.
    Apesar de todos beberem, cada um tem o seu preferido, sua maneira de tomar. Uns gostam de café coado em coador de papel. Outros em coador de pano. Uns gostam com leite quente, outros com leite frio. Tem gente que põe canela em pó, leite condensado, creme de leite, chantilly. Alguns colocam sal. A maioria toma com açúcar. Tem gente que só toma com adoçante, mesmo depois de meia tonelada de feijoada. Temos os cafés gourmet. Temos cafés gelados, batidos, com um licorzinho, um conhaquinho. Temos café mais fraco, mais forte, extra-forte (o melhor, na minha humilde opinião). Existe até café descafeínado (o que sinceramente pra mim não é café de verdade).
    O que eu gosto é um café bem forte, expresso, sem açúcar. Ou um café bem quente com leite gelado, de manhã. Um gosto. Nada mais que isso. Não é melhor, nem pior que os outros, é somente a maneira como gosto de tomar meu cafezinho. Não desprezo os outros, apenas o descafeínado. Já disse, aquilo não é café. Viva a santa cafeína.
    Sempre que penso em café lembro-me de uma pregação de minha mãe, quando eu era pequeno, uns 7 ou 8 anos, em que ela dizia que devemos amar, e adorar a Deus, com CAFÉ (coração, alma, força e espírito). Está analogia é simples, significa que devemos louvar a Deus com TUDO que temos, com nossas emoções, pensamentos, vontades, corpo, palavras, atitudes, e tudo mais.
    Agora fico a pensar. Será que o modo como louvamos e adoramos a Deus realmente importa? Ou será que é apenas uma questão de gosto? Claro, desde que façamos com CAFÉ, de todo nosso coração, guiados e inspirados pelo Espírito Santo, com tudo o que temos. Se for mais exaltado, mais agitado, mais paradão, mais quieto, mais solene, ou mais extravagante, tanto faz. Se pular, ou fica sentado, se levanta a mão, ou as cruza em sinal de respeito, se dá um brado de vitória, ou faz uma oração silenciosa, não importa. O que importa é seu coração, é a sua verdadeira intenção.
    Não vou fazer um apelo, só um pedido, uma idéia, quem sabe de hoje em diante possamos expressar nosso café, nosso amor por Deus, da maneira que mais nos agrada, sem julgarmos, condenarmos, ou excluirmos os outros, simplesmente porque gostam de um cafezinho com mais açúcar do que nós. 






PS: Eu não sou universalista. Ultimamente, sabe como é...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

UMA PAUSA.


               

           Acabo de sair do consultório médico. Na sala de espera, um senhorzinho, por volta de seus 90 anos, entra quase que carregado por seu neto. Alguns passos. Correria. Ele já está no chão, desmaiado. O corpo em colapso. Eu e mais 2 homens o colocamos no sofá. Médicos. Alguns minutos. Poucas palavras. Tudo bem? Não, mas voltou.
    A vida é frágil. Um suspiro. Um sopro. Uma brisa que a qualquer momento pode simplesmente parar, mudar de direção. Naquele momento o pobre velhinho não pensava nas contas a pagar, no almoço, quanto foi o jogo do Corinthians, só desejava sobreviver, saber se daqui 5 minutos estaria com seu coração a bater ainda. Não havia vaidade.
    Até quando nos preocuparemos, sofreremos, com problemas tão pequenos, efêmeros, quase que insignificantes? Desde quando o salário do fim do mês é mais importante que nossas vidas? Será que é necessário morrer pra conseguir descansar em paz?  Vale à pena estressar-se com o trânsito, o clima, o peso, a roupa que furou, o copo que caiu e quebrou, ou com um jogo de futebol? Cargos, status, poder, são realmente mais importantes que famílias, amigos, amores, risadas, sorrisos?
    Há quanto tempo você não sai pra pescar com seu filho, faz uma comidinha pro seu marido, leva a esposa pra comer fora, vai à casa da vó pra ouvir histórias antigas e gostosas? Há quanto tempo não para e simplesmente olha as estrelas, escuta o vento cantando, assistir a um filme besta na TV sem se preocupar com o horário?
    “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” já dizia o poeta. Tentamos ganhar o mundo e perdemos nossas vidas.
    PARE! Peço-te, hoje, por favor, pare um pouco. Olhe ao seu redor, e por mais difícil que as coisas estejam, sempre há o que agradecer, nem que seja o simples fato de poder respirar, ainda.

sábado, 26 de novembro de 2011

A VOLTA PRA CASA.



    Olho pela janela. Arvore. Arvore. Arvore. Resolvi não tomar o dramin. Acordado: VIVO! Minha grande companheira, a mochila, de tantos momentos, me faz companhia. O chacoalhar do ônibus me embala. Talvez seja saudosismo, o momento a sós, ou meu lado reflexivo que fala mais alto (penso ser tudo isto junto). Cabeça encostada no vidro. Pensamentos a voar, vagando em meio às nuvens, memórias. Vejo cada local em que passei. Cada pessoa que conheci. A viagem foi longa. Fui a lugares nunca antes imaginados. Corri, comi, vivi, pensei, lembrei, preguei, sonhei, viajei. Estradas, caminhos, ruas, rios, ar. Tantos caminhos, que me levaram de um lado ao outro. Sensações, cheiros, gostos, dores, reservadas para mim.
    A barba desajeitadamente por fazer me lembra da distancia que estou do descanso. As pernas estão brigadas comigo por tanto andar. Uma deliciosa fadiga. Missão cumprida. Poderia ter feito mais. Poderia ter feito menos. “Vede, cautelosamente vai um barquinho a vagar e o vento que é o seu motor, nunca o deixa afundar. Minha vida é assim também. Não vive no mar, mas vive a vagar. Sou como um barquinho cruzador, mas só quem me conduz é o Senhor!” Momentos a sós, mas a solidão eu que criava, Ele sempre estava comigo. Às vezes queria que não terminasse. Tantas cores, tanto amor, tantas lembranças. Ah, aquele cafezinho, uma comidinha aqui, uma musica pra alegrar ali. O som do silêncio tentou nos calar, crescendo como um câncer, eu vi Pessoas conversando sem estar falando. Pessoas ouvindo sem estar escutando. Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam. Ninguém ousou perturbar o som do silêncio. Como se calar? Como fingir não ver? Minha boca não se fechou, meus olhos não foram tampados, e meus ouvidos não se taparam. Vi, ouvi, falei.
    Vivo,sigo a viver, a procura de algo que ainda falta. Não que o vazio em meu coração não tenha sido preenchido, mas há algo, um desejo, insaciável, constante, cada vez maior. Uma saudade de algo que ainda não vivi, a lembrança do que está por vir. “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo” C.S. Lewis. Assim foi até hoje. Caminhei até não conseguir mais. Chorei até minhas lágrimas secarem. Ri até minha barriga doer. Orei até meus joelhos se esfolarem. Amei até não caber mais nada em meu coração, e ter que guardar no do Pai. Hoje estou aqui, no ônibus, sonhando, lembrando, vivendo. Estou voltando pra casa, não vejo a hora de chegar. Sei que não sou daqui, minha casa tem muitos quartos vagos, vamos comigo? Eu sei que Papai estará no portão, esperando, com aquele lindo sorriso, os braços abertos, para aí sim, minha vida começar, para nunca mais acabar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

UM NASCER DO SOL


  Saiam todos de suas casas. Venham e vejam. Já é dia. O Sol está a nascer. A noite vencida. Corram com todas suas forças. Não há tempo a perder. Há urgência. Chamem todos os que puderem. Acordem os que dormem. ACORDEM! Já é possível ouvir os ruídos. Não deixem para amanhã. Largue o café, o pão, a manteiga. Fujam dessa solidão. Já há uma multidão nas ruas. Não haveria mais? Corpos formando um corpo, a correr. Por que hesitas? Pra que tanto medo? É tudo tão belo, tão lindo. As cores. As nuvens. A última estrela, a estrela da manhã, a se retirar. É chegada à hora. Ainda estão parados aí? Como podem não perceber? Avisem seus amigos, seus pais, sua namorada, seu colega de classe, seu patrão. Levantem dessa cama. Sintam a alegria, a euforia tomar conta de vocês. As aulas acabaram, as férias chegaram. O inverno se foi. Anuncie a todos. O amor vence. E só ele, ou Ele, vence. Gaste toda sua voz. Queimem seus pulmões, mas não deixem de contar à verdade que nunca envelhece. O vento fresco nos beija. É hoje, é Hoje! Hoje é o dia das nossas vidas. O ontem já passou. O Amanhã? Ainda não existe. Só tenho uma certeza, a minha morada não é daqui. Eu estou voltando para casa. A cada manhã, estou mais perto, Ah sim, estou mais perto dos braços de meu Pai. Então corra, não há tempo a perder. Não há vidas a desperdiçar. Ele te chama, Ele me chama, você pode ouvir a sua voz? Pode sentir o seu toque? Seu amor? “Está consumado”. Não percebi, a hora já avança. Vou sair daqui, correr para lá também, venha comigo, vem e veja, o Sol nascer mais um dia, as misericórdias do Senhor se renovando sobre nossas vidas, e mais um milagre chamado vida a acontecer. Pode ser hoje, pode ser amanhã. Nunca saberemos. Mas vivamos, como se hoje fosse nosso último dia, pois é o último que temos, antes que a noite venha outra vez, e lutemos, lutemos, e lutemos, a espera de mais um amanhecer, para secar nossas lágrimas, e mostrar, que ainda que a escuridão pareça não ter fim, no fim, a Luz sempre brilhará, Cristo vencerá, e um dia, viveremos, para sempre, na nossa morada celestial, juntos, sem dor, lágrimas, tristezas. Será enfim, o início de uma nova vida, da verdadeira vida.

Maranata, Ora vem Senhor Jesus.
“Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó.
Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O SENHOR forte e poderoso, o SENHOR poderoso na guerra.
Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória.” 
Salmos 24:6-10

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

UM GRANDE ENCONTRO (COM DEUS)


   

 Resolvi abrir meus olhos. Mesmos cobertos de lágrimas enxergam perfeitamente. Na realidade acredito que foi por causa delas que pude ver. Ainda parece ter sido um sonho. Quem sabe não tenha realmente sido? Um sonhar acordado produzido por Ele.
    Você deve estar pensando: o Calebe pirou. O que ele tá falando? Não dá pra entender nada. É você tem razão, pirei, mas já faz um bom tempo, e sim, talvez não entenda, pois como se explica o inexplicável?
    Até aquele momento possuía a sabia certeza tola de que estava sozinho. A escuridão da noite em que vivemos me impedia de ver. Foram 4 dias, parecera 1 hora, ou 1 ano, não sei ao certo.
    Um som, uma voz. Eram muitas, mas soavam como uma só, um corpo, um exército, um grande purê de batata. Sem perceber, estava no meio deles, juntos, fazia parte desse mágico grupo
    Já não vejo mais apenas um bando de adolescentes e jovens, mas sim soldados. Prontos para a batalha.  São mais de 300, nem por isso menos fantástico, intrigante. Já não podemos perder nossas vidas, pois a perdemos faz tempo, e ao perdê-la encontramos a verdadeira, e abundante, vida. Não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós.
    Como luzes a brilhar na escuridão posso ver onde estamos: em um vale de ossos secos, corpos há tanto tempo mortos que já não possuem mais carne. É possível sentir as dores de tanta desgraças, tantos sonhos enterrados ali, famílias inteiram dizimadas. Todos olham atônitos, não há o que fazer. Impossibilidades.
    Uma ordem, vinda do Alto, do nosso General: PROFETIZA! Preguem. Orem pelos osso secos. Loucura. Obedecida. Ossos começam a se juntar, nervos e carne crescem sobre eles. Um sopro de vida corre por eles. De ossos secos a vida, um genuíno avivamento.
    O exército aumenta. A guerra já está ganha, mas as batalhas só estão a começar. Dai-nos forças Deus. Vejo uma mocidade, uma geração, a se levantar, com o coração em chamas, queimando por mais de Deus e pelas vidas, ainda, perdidas.
    Isto foi o GE (Grande Encontro da mocidade Metodista). Muito mais do que apenas do que uma grande comunhão e momentos de (muita) alegria com nossos amigos. Mais do que palavras, ministrações abençoadas. O nosso tempo chegou, a hora é agora. Algo lindo só começou a acontecer, em nossa mocidade. Um exercito que desperta.
    Este é o começo de nossas vidas, apenas não sabemos. Abra seus olhos e veja, o futuro esta a sua frente, o caminho já foi preparado.
    Escutemos a voz de Deus:
Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR.
Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.
E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o SENHOR.
Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso.
E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito.
E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.

E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo. 

Ezequiel 37: 4-10

terça-feira, 11 de outubro de 2011

LEVANTE-SE DA CAMA.




O texto de hoje não vai ser realmente um texto, é apenas a tradução desta música aí de cima (Asleep in the Light - Keith Green ). Não posso comentá-la pois preciso refletir o quanto eu mesmo não tenho agido desta forma. Que você possa fazer o mesmo. 


PS: Outro dia escrevo sobre a história deste incrível cristão, que por acaso era músico, o Keith Green. 


Tradução - Asleep in the Light. 


"Está vendo, está vendo

Toda essa gente afundando?
Não se importa, não se importa?
Vai deixar que elas se afoguem?

Como pode ser tão frio
Não ligar quando eles vêm a você?
Você fecha os olhos
E finge que o trabalho está feito

"Senhor me abençoe, me abençoe"
É tudo que eu escuto
Ninguém sente a dor, ninguém se incomoda
Ninguém nem ao menos derrama uma lágrima

Mas Ele chora, Ele sofre, Ele sangra
E se importa com seus problemas
E você simplesmente se acomoda
E continua chovendo no molhado

Não vê o tamanho deste pecado?
Pois Ele leva gente à sua porta
E você as manda embora
Sorrindo, e dizendo
"Deus abençoe, fique em paz"
E o céu inteiro chora
Porque Jesus veio à sua porta
E você o largou na rua

Se abra, se abra
Dê mais de si mesmo
Você vê que há necessidade, você ouve os chamados
Então como deixar pra depois?

Deus está chamando, e você é escolhido
Mas como Jonas, você foge
Ele te disse pra falar
Mas você está guardando pra si

Não vê o tamanho deste pecado?
O mundo jaz nas trevas
Porque a igreja não compra a briga
Porque está jazendo na luz
Como pode estar tão morto
Sendo tão bem alimentado?
Jesus se ergueu do túmulo
E você, nem consegue levantar da cama

Jesus levantou do túmulo
Vamos, levante da cama

Como pode ser tão frio
Não ligar quando eles vêm a você?
Você fecha os olhos
E finge que o trabalho está feito
Você fecha os olhos
E finge que o trabalho está feito
Não feche os olhos
Não finja que o trabalho está feito

Saia, saia, e venha comigo, querido
Saia desta bagunça, venha comigo meu querido"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

UMA HISTÓRIA DE AMOR.



  Ela era menina de tudo. Uma mulher, mas garota, ingênua, inocente, pura, um doce. Perfeitinha, sem o complicada. Quem a viu afirmava que era impossível não se encantar com tão bela criatura. “Uma obra divina...” diziam outros.
    O que mais gostava de fazer era cuidar de seu lindo jardim. Contam que nunca mais houve outro tão belo, grande e encantador quanto ele. Conhecia cada planta, flor e arvore. Os animais que ali viviam pareciam entender cada palavra que saía de sua boca. As frutas de seu pomar eram lindas, suculentas, vistosas, mais doces que o mel mais puro. Mágico.
    Ela passava os dias ali, cuidando de cada detalhe daquele imenso bosque (era quase uma floresta), alimentando animais, podando as plantas, regando as flores, que exalavam um doce perfume, que percorria todo o corpo, entrando pelas narinas, causando sensações impossíveis de descrever. Era uma rotina, mas sempre havia algo diferente, novo ali.
    Não se pode dizer a hora exata, mas foi pela manhã. O Sol ainda não estava muito alto. O frescor da madrugada ainda não tinha ido descansar. O orvalho fazia hora extra sobre as lindas folhas. Sentada em um banco, lendo um pouco, ela vê ao longe Ele, um lindo príncipe.
    Vinha em seu cavalo, que não sei se era branco, preto, azul, amarelo... O que realmente importa era Ele, ali, a galopar na direção dela. Nunca o havia visto, mas sabia que sempre estivera por perto. Era uma beleza indescritível, incomparável.
    Livro fechado. Em cima do colo. Em cima do banco. Sombreado por ela, observa ao longe o encontro do que foi feito para ser eterno. Como foi o encontro não é importante, foi só o 1º, de muitos. Eles foram se conhecendo, mas já se amavam. O amor dele por ela era incomparável, maravilhoso, impossível de acreditar.
  Juntos viviam momentos lindos, aventuras, romances, alegrias. Mágico. Cada dia era uma surpresa, algo novo, eles ia se conhecendo, ele já não conseguia ficar mais longe dela, ter que esperar para encontra-la, queria viver todos os dias com sua amada. Seu coração diz algo, sua mente concorda. Ele não pensa duas vezes, sabe que é o certo a fazer. 
  Um pedido, uma resposta, 2 anéis. Estavam noivos. Parecia um sonho, um conto de fadas. Os preparativos começaram logo em seguida. Não queriam perder tempo. Nem acreditavam naquilo tudo.
  Quanto mais o tempo passava mais tarefas havia. Ela comprava as flores para a festa. Estava em dúvida. Alguém a ajuda. Ele era assim, como posso dizer, interessante. Alto, ombros largos, olhos hipnotizantemente lindos, um sorriso indescritível. Sua voz, doce, mas grave, a leva pra perto. Rosas vermelhas. Pro casamento e para ela. Fica sem graça, um tanto vermelha, mas gosta. Ocasionalmente se esbarram na rua. Certo dia, um café. Conversas, risadas. Estão tão próximos. Não fica mais vermelha. Um beijo. Hesitação. Outro beijos, e outro, e outro... 
  Ela diz que está casando. "Vamos fugir". Conversa. Planos. "Sim". Ela não aguenta e conta para seu príncipe. Ele nada pode fazer, a ama demais para proibir. Se despede, não sem lágrimas nos olhos. Ela e seu cavaleiro misterioso, na estrada, rumo ao desconhecido. 
  Cidade nova. Ela que nunca saíra de sua linda casa agora está numa cobertura, um duplex. A primeira noite lá, depois de beijos, uma garrafa de vinho, ela já não é mais virgem. Noite passa. Manhã chega. Ela ainda se sentindo estranha, Ele com um sorriso ainda maior no rosto. Bom dia? Não. Ela descobre, não iria morar ali com ele, seria em um local, digamos, alternativo. 
  Andam cerca de 30 minutos. Afastado do centro. É escuro até de dia. Cheirava mal. Portas quebradas. Luzes vermelhas. Ela sabia onde estava. Teria que "trabalhar" para sobreviver. Puta. Cafetão. Não havia mais príncipe. Todos os dias a mesma coisa. Mais e mais homens, repugnantes, abusando-a, beijando-a, violando-a. A dor era enorme, precisava de algo. Drogas. Drogas. Drogas. Entorpecida já não vivia mais, era uma morta-viva, um cadáver que apenas respirava. Não tinga trégua. Todo seu dinheiro ia para seu "amado" cafetão.
  Ela já não tinha mais forças. Tentara fugir algumas vezes em vão. Socos e pontapés. Choro. Ela encontra em sua bolsa velha, um bilhete antigo, com uma letra que ela não esquecera. "Estarei sempre contigo, aonde quer que você vá. Eu te amo, e sempre te amarei." Ela grita, em prantos: Meu príncipe, cade você? me ajuda, eu te amo, te quero de volta. Menos de 1 minuto. Porta aberta. É ELE. Seu herói. Mas como? "Eu nunca te deixei. Estava na casa ao lado, a esperar, quando você quisesse me de volta." Ele sai carregando-a, e se encontra com o bandido. Uma briga. Só se veem braços e pernas para todos os lados. O príncipe, inexplicavelmente é morto.
  O vilão imagina ter vencido. Mal sabe ele com quem realmente lutara. Passam-se 3 dias, e algo sobrenatural acontece. VIDA! O Príncipe, enfim, está de volta, mais vivo do que nunca, mas não é o mesmo, está mais forte, mais alto. Não há luta, todos sabem de quem é a vitória. A derrota cabe a aquele que fica para o rato de esgoto, jogado na cadeia. 
  A jovem é resgatada, vão embora. Ele cuida dela, limpa suas feridas, sara seus machucados, dá-lhe amor, carinho, respeito. Não lhe pergunta do passado, não importa. Está novamente, limpa, bonita, cheirosa. Mas agora, ela já não é mais plebeia, é princesa, pode enfim se casar com o noivo.
 "Amor, vou fazer uma viajem, e quando voltar nos casaremos." Ela concorda. Sabe que é verdade. Ele não mente. Partiu. O amor entre eles faz com que mesmo longe estejam juntos. Ele ainda não chegou de volta, ela está a lhe esperar, pronta para viverem juntos para sempre. Ele está a caminho, cavalgando seu lindo cavalo o mais rápido que pode, a saudade é grande. 

sábado, 1 de outubro de 2011

SERÁ?



“Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação.
Serão noites inteiras,
Talvez por medo da escuridão.

Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução.
Prá que esse nosso egoísmo,
Não destrua nosso coração.

Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?

Brigar prá quê se é sem querer?
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você?”

(Trecho da música “SERÁ?” do Legião Urbana)
 Tantas perguntas, questões. Quantas vezes não nos pegamos pensando se tudo que vivemos, passamos, foi em vão. Se certas situações valerem a pena ter acontecido, ou se foram apenas erros de percurso. Olhamos para trás e desejamos que nada daquilo tivesse ocorrido. Queremos voltar e mudar o passado. Infelizmente, ou felizmente, é impossível, não conseguimos transformar o que passou. Não temos esse poder. Os erros e acertos já foram cometidos. As risadas já passaram. As lágrimas secaram. Tudo isto se foi, não volta mais. Diversas vezes nos agarramos a nossa história, e esquecemos que só possuímos o hoje, e que o amanhã depende de como vamos lidar com o tempo que nos é dado. Até quando vamos fazer com que tudo que fizemos, passamos, vivemos, tenha sido em vão? Já cansei de viver de memórias e esquecer de usa-las para viver o hoje, moldar o meu futuro.
  Cansei. Não dá para apenas desperdiçar o tempo tentando mudar o imutável, esquecendo que mais belo que a sua história, é o seu presente. Não tenho a pretensão, e nem acredito, que tudo que ocorreu em nossas vidas tenha sido necessário, ou que tenha um lado bom. Não! Nem todos acontecimentos são bons. Alguns por sinal são apenas extremamente dolorosos. Com certeza você, da mesma forma que eu, tem cicatrizes em seu coração, sua alma tem marcas, que mesmo que já estejam curadas, ficarão ali para sempre, pra nunca esquecermos o que se passou, e principalmente, para que possamos dar valor ao que virá.
  Talvez você olhe para sua vida hoje e não veja nenhum sinal de mudança, nada que o faça pensar que poderá melhorar. As lembranças te sufocam. Algo te fala que vai sim, poder vencer esta batalha, mas não há razão para acreditar. Será que é tudo imaginação? Será que tudo que passou foi em vão? Será que nada vai acontecer? A escolha é sua. Você irá olhar para seus problemas, tudo o que está acontecendo, tudo que deu errado, o que já se foi, e lamentar apenas, ou pensar no quanto foi útil para que crescesse, amadurecesse, fosse sendo moldado, transformado. Por pior que tenha sido a situação, há algo que você pode levar como lição, nem que seja para saber que nunca mais quer passar por algo parecido.
  Hoje a esperança está batendo na sua porta. Ela quer cuidar de você. Quer te mostrar a verdade, já que a mentira talvez tenha dominado sua mente. Cuidará de suas feridas ainda abertas. Há sim um futuro para você, ainda há como mudar. Não deixe para depois, não espere as coisas tornarem-se piores do que estão. Nada foi em vão, nada foi por acaso, nada se perdeu. A Esperança vem para te proteger, e mostrar que sozinho realmente será impossível vencer, mas que não é preciso lutar sozinho. Ela conheça suas lágrimas, suas angústias, tudo aquilo que te feriu. Sabe de seus sonhos, planos, vontades e desejos. Ela também atende pelo nome de Jesus Cristo.
  Ele vem para te mostrar que a sua dor não é em vão, que o amor sim vence, mesmo que pareça derrotado, só Ele, e mais nada nem ninguém, faz a vida surgir da morte, faz com que do choro mais intenso nasça o riso mais alegre e puro. Ele é abrigo para os perdidos, refúgio para os cansados. Ele é a única solução. Só Esse tal de Cristo, Salvador, pode matar nossos monstros, ser a luz que brilha em meio a escuridão que nos assusta, dá-nos medo.
  Eu comecei esse texto com perguntas (na letra da música) mas termino ele com respostas. Não que eu as tenhas. Não tenho. Mas eu sei quem tem. E sei que mesmo as tendo, Ele trabalhará de tal forma que elas não serão mais necessárias. Prepare-se, você será surpreendido, basta apenas entregar tudo nas mãos de Jesus.


“"Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos", declara o Senhor.
"Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos e os meus pensamentos mais altos do que os seus pensamentos.
Assim como a chuva e a neve descem dos céus e não voltam para ele sem regarem a terra e fazerem-na brotar e florescer, para ela produzir semente para o semeador e pão para o que come,
assim também ocorre com a palavra que sai da minha boca: Ela não voltará para mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei.
Vocês sairão em júbilo e serão conduzidos em paz; os montes e colinas irromperão em canto diante de vocês, e todas as árvores do campo baterão palmas.
No lugar do espinheiro crescerá o pinheiro, e em vez de roseiras bravas crescerá a murta. Isso resultará em renome para o Senhor, para sinal eterno, que não será destruído. "”

Isaías 55:8-13

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O PÃO.






Hoje, como quase toda sexta-feira, resolvi cozinhar. É algo que eu gosto de fazer desde novinho, comecei com alguns lanches, e fui avançando pelo mundo gastronômico. Muito provavelmente o que eu mais gosto de fazer é Pão. É incrível juntar todos aqueles ingredientes, e parecer que não vai dar certo, não vai atingir o ponto, até que finalmente, acontece um milagre, a massa “dá liga”. Então vem a parte mais difícil: colocar no forno e esperar. Como é difícil esperar aqueles intermináveis 45, 50, minutos. Enfim, você tira aquele pão do forno, com o dobro de tamanho que tinha no começo, fofinho, branquinho, quentinho, uma delícia.
Bom, você deve estar se perguntando o que tem em comum vida cristã com pães. Tudo e mais um pouco. Se reparar bem, ao fazer pão juntamos ingredientes tão diferentes, que em nada se parecem, mas que unidos formam algo coeso, uniforme, belo. Na nossa caminhada de todos os dias é da mesma maneira, temos que ter certas atitudes que analisadas individualmente parecem inúteis, sem grande importância, mas quando paramos para enxerga-las como um todo, vemos o quanto é impossível vivermos bem sem uma delas. Mas repare, tem um ingrediente que se não estiver ali, não importa a qualidade de todos os outros, o quanto você amasse, bata na massa, não vai adiantar em nada: O Fermento. Isso me lembra de algo, que se Deus não estiver na equação o resultado SEMPRE vai dar errado. E por último, e não menos importante. A temida hora de colocar os pãezinhos no fogo. É o momento que saí do seu controle. É necessário ter fé (muito grande por sinal) de que não irá dar nada errado com o pão. Na vida, adivinhem, também é assim. Tomamos atitudes necessárias, colocamos Deus na causa, mas chega um momento que temos que simplesmente entregar tudo em suas mãos, passar pelo fogo que irá nos moldar, e ter fé, que quando tudo acabar sairão pãezinhos lindos, e perfeitos. E enfim você poderá desfrutar de tanto trabalho, seja na cozinha, ou em situações do seu dia-a-dia.

“Eu sou o pão da vida.” João 6:48

Por último eu gostaria de deixar um brinde, minha receita especial de pão de batata recheado.

INGREDIENTES para a massa:
·        -1 kg de farinha de trigo
·        -1 colher de sopa bem cheia de manteiga
·        -1 copo de leite morno
·        -5 batatas médias, cozidas e amassadas
·        -2 tabletes de fermento biológico fresco.
·        -2 colheres de chá de açúcar.
·        -2 gemas.

INGREDIENTES para o recheio:
·        -3 gomos de calabresa moída
·        -Requeijão a gosto.

MODO DE PREPARO:
- Pegue uma vasilha grande. Nela dissolva o fermento no açúcar até virar um caldo. Junto todos os ingredientes da massa, exceto a farinha. Vá juntando a farinha e amassando até que a massa atinja um ponto liso, homogêneo, e não grude mais nos dedos (acredite, aquela meleca uma hora irá para de grudar nos dedos). Ao terminar esta parte separe a massa por 1 hora e cubra com 2 panos de prato, para que ela cresça. Enquanto a massa cresce vá preparando o recheio. Após 1 hora unte uma, ou mais formas, com margarina, e faça bolinhas com a massa, recheando-as com a calabresa e o requeijão. Pegue as gemas dos ovos, bata bem, e cubra os pães com ela, para que fiquem dourados. É só colocar na forma e no forno por uns 45 minutos, ou até que fiquem dourados por cima. Cuidado para não queimar (o forno deve ser pré-aquecido por 20 minutos, a 200º, ou fogo médio).