quarta-feira, 4 de maio de 2011

A VOLTA.

     As lagrimas corriam pelo seu rosto, misturando-se com sujeira de sua alma, tornando-se um escuro e sujo fluído que escorria por seu corpo, expondo a podridão em que estava sua vida.
     As pernas latejavam de dor devido ao cansaço. O sangue lentamente escorria de seus secos lábios. A barba escondia as marcas de seu rosto, que não se comparavam as feridas que foram abertas em seu coração. A mão calejada, os braços cortados. Em seus olhos não se encontrava vida, apenas a amargura.
     A areia do deserto comia os seus pés e o resto de esperança que já não havia. Em seus ouvidos apenas uma palavra ecoava: VERGONHA. Em sua mente não havia espaço para nada, a tristeza, o medo, a saudade, o arrependimento, o passado, já haviam a dominado.
     Seus olhos e enganam. Atravessa uma porteira e ao longe avista a casa com que tanto sonhava. Era uma miragem. Só poderia ser. Por mais que tentasse não conseguia acreditar que estava novamente naquela estrada, mas agora no sentindo certo.
     Mais alguns minutos (que pareceram anos, e quem dirá que não foram?) seus olhos arregalam, seu coração dispara, teria visto um fantasma? Ou seria ele próprio já um fantasma? Suas pernas travam, já não há coragem para caminhar. Pensa em virar e sair correndo, mas seu corpo não responde mais suas ordens. Um volume insano e inacreditável de informações e lembranças varrem suas ideias. Infância, adolescência, juventude, passam em seus olhos em um instante.
     Aquele homem que ele tanto magoou, desrespeitou, ignorou, vem se aproximando, correndo, correndo e correndo com todas suas forças.
     Nosso peregrino está de joelho, cabeça baixa, misturando-se com sua sombra. Ao levantar a cabeça vê aquele grande homem, também de joelhos, a sua frente, de braços abertos, como uma cruz, que não se importando com o estado em que o jovem se encontrava o abraçou, e sua alegria corre dos olhos, e em êxtase diz:
- Filho amado, eu estava te esperando, todos os dias.
- Eu não sou digno de chama-lo de pai. Eu desonrei teu nome, te envergonhei, magoei, só fiz besteira, não quis te escutar, zombei de ti, eu sou um lixo, um nada, Eu...
- PARE! O que me importa é que você está aqui. Você estava morto, mas hoje nasceu de novo, eu não via a hora de te ver. Filhão, eu te amo tanto, tanto, tanto. Que bom que voltou.
     O Pai se levanta, ajuda seu filho levantar, mas ele está tão fraco que mal consegue ficar em pé. Seu pai o toma nos braços e o carrega por todo o caminho até a casa, onde ele é cuidado, tratado, medicado, ganha novas roupas, enfim ele é um homem novamente, e em seus olhos, agora, se encontra A VIDA.

2 comentários:

  1. Lou!
    Escrever sobre o pródigo é golpe baixo, hein?!
    Gosto especialmente dessa história, você sabe.

    A história do pródigo costuma ser marcada pelo amor, mas, hoje, se algo me chama a atenção, seria sem dúvidas, a misericórdia do pai. Não importa por onde temos andado, o posicionamento dele será sempre o mesmo: a porteira, esperando na janela (meio Falamansa isso).

    Você me deu uma ideia para continuar a série no JNR.

    Gosto de você demais, Lou!
    Beijinho

    (agora apareço mais vezes, depois de você mudar essa configuração aqui!)

    @Brunavichi ou então, simplesmente Bru.

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  2. Balques comentou
    Muito edificante e criativa a sua versão do filho p´rodigo!
    Abraços

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