sexta-feira, 29 de julho de 2011

EU QUERIA.


Se você me conhece pessoalmente já deve ter me visto parado em algum canto, ou caminhando sozinho, com um olhar perdido, como se não estivesse prestando atenção em nada. Lembro que desde criança sempre tive estes momentos, às vezes com mais frequência, outras menos. É ali, durante aqueles instantes, minutos, até horas, que eu mais sonho, acordado, crio histórias, vidas, viajo, brinco, me divirto, choro, crio mundos. Quando pequenino conseguia me ver como um grande arqueólogo descobrindo ossadas nunca antes vistas no mundo, ou como um grande camisa 10 do Corinthians ou da seleção (se bem que de vez em quando eu ainda consigo-me ver fazendo aquele gol contra a argentina aos 49 do 2º tempo, desempatando o jogo, na final da copa do mundo). Hoje, quando menos percebo, estou lá, pensando na cena final do filme que eu dirigia, o ultimo ato da peça que apresentei, ou o final do livro que escrevi. Já fui cientista, engenheiro, advogado, ator, presidente, cantor, guitarrista, baterista, jogador de basquete, futebol, beisebol, piloto de formula-1, de caça, acho que só o posto de Deus eu não almejei, e nem pretendo almejar.
Muitos sonhos passaram, eram coisas de criança. Cresci, em estatura, em maturidade. A realidade não bate a porta, arrombou. Olhar no espelho foi ficando cada vez mais difícil. Tantas imperfeições. Medo? Eu achava que sabia o que era... Doce ilusão. Limitações, frustrações, perdas. Queria ter mentido menos, machucado menos meus pais, irmã, amigos. Queria não ter sido tão omisso. Queria não ter fugido de meus problemas, de pessoas, de responsabilidades. Queira ter arriscado mais, sonhado mais, vivido mais.
Faço uma autopsia de mim mesmo, e não encontro tudo aquilo que desejo, porque não posso ser diferente? Queria ser mais forte, mais corajoso, arrojado, responsável, inteligente, fiel, concentrado, engraçado, decidido, focado. Queria ser menos teimoso, preguiçoso, desorganizado, relaxado, cismado, indeciso, depressivo, bruto, grosso. Vejo minha vida hoje, penso em tudo o que queria ser, queria ter, queria fazer, queria, queria, queria, queria, quer...
Em certos momentos deixo a crise tomar conta de mim, a desesperança ao olhar para algo tão imperfeito, falho, desastrado, errado, chega a me angustiar. Fazer a diferença? Uma utopia que sigo tentando acreditar. Mas ao não aguentar mais de pé ficar, me jogo de joelhos ao chão, e com algumas lágrimas no rosto, olho pra cima e posso ver a minha louca esperança: A Cruz vazia. Um sacrifício, não, não, O SACRIFICIO, a maior prova de amor que já existiu. Uma morte, minha vida comprada ali, pelo preço mais alto que já foi pago: O Sangue de Cristo. Se Deus decidiu que valia a pena morrer por mim como é que eu posso desistir? Se o TODO PODEROSO diz que há esperança para mim, pois se até a morte Ele venceu por mim, como direi que está tudo acabado? Meu Jesus Cristo hoje vive, intercedendo por mim todos os dias, é dali que virá a minha força, é ali, que minhas mudanças começaram e irão terminar, pois como Paulo, o caçador que virou caça, diz:Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.” Filipenses 1:6.
O meu passado poderia ser diferente, mas não posso muda-lo, o futuro eu ainda vou construir, mas graças a Deus tenho o hoje.

"Nós não somos o que gostaríamos de ser.
Nós não somos o que ainda iremos ser.
Mas, graças a Deus,
Não somos mais quem nós éramos."

Martin Luther King

domingo, 24 de julho de 2011

AS NUVENS.





Deitado no chão, olhos em direção ao céu, a procurar não sei o que. Talvez seja pela noite em claro, o cansaço ou os acontecimentos da semana ou as lembranças de um passado não tão distante. O vento gelado começa a conversar comigo. Os galhos da árvore me lembram de como sou frágil. As nuvens, debaixo do Sol, me mostram como devo ser: levado pelo vento para onde Ele quiser.
    Depois de 7 dias no Projeto Missionário Uma Semana Pra Jesus olho pra mim mesmo e posso perceber o quanto mudei, estou sendo mudado e necessito ser transformado por Deus. Pó da Terra, nada além disto, é o que sou sem o sopro de vida do Espirito Santo. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, já dizia Salomão. Conforto? Prazer? Meus planos? VAIDADES. Do que adianta viver os meus sonhos se os de Deus são os únicos que realmente podem trazer paz, amor e alegria para minha vida? Somente vivendo a vontade de Deus me realizo. Só em sua presença posso ser o que realmente sou. Só pela sua misericórdia estou vivo. Por seu amor posso viver. Seu sangue me faz limpo. Sua glória e beleza deixam-me sem palavras.
    Não quero mais entender Seus desígnios, Suas vontades ou Seus Planos, apenas necessito vivê-los plenamente. Quero ser como as nuvens e parar de correr atrás do vento, e deixar que o vento ao tocar em meu rosto me carregue para onde quiser, sem me preocupar para onde Ele vai, pois sei de onde Ele vem, aproveitando cada segundo desse lindo viajar, para enfim dizer que está valendo a pena viver.
    Maranata, vem Senhor Jesus. 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A MORTE DO LEÃO



“As duas meninas choraram copiosamente (embora mal soubessem o motivo),
agarraram-se ao Leão, deram-lhe beijos na juba, no nariz, nas patas, nos grandes olhos
tristes. Depois, ele se afastou e foi sozinho para o alto da colina. Escondidas nas últimas
moitas, Susana e Lúcia ficaram espiando.
Vou lhe contar o que elas viram.
Uma imensa multidão estava reunida em torno da Mesa de Pedra. Embora o luar
clareasse tudo, muitos traziam tochas, que ardiam com sinistras chamas vermelhas e fumo
negro.
Que bicharada! Ogres de dentes monstruosos! Lobos! Homens com cabeça de touro! Espíritos de árvores más e de plantas venenosas! Não falo de outros seres porque, se fizesse isso, as pessoas adultas não o deixariam ler este livro: vulpinos, bruxas, íncubos, fúrias, horrores, espectros, sátiros, lobisomens... Estavam ali todos os que eram
do partido da feiticeira, convocados pelo lobo. No centro, em pé junto da mesa, estava a
própria feiticeira. No momento em que viram o enorme Leão dirigir-se para elas, aquelas criaturas
soltaram uivos e grunhidos de terror. Até a feiticeira pareceu por um instante paralisada
de medo. Mas dominou-se e deu uma selvagem gargalhada.
— O louco! O louco está chegando! Amarrem bem o louco!
Lúcia e Susana pararam de respirar, aguardando o rugido de Aslam e o ataque ao
inimigo. Mas nada! Quatro bruxas, rindo zombeteiras (a princípio, a uma certa distância,
receosas de cumprir sua missão), aproximaram-se dele.
— Amarrem o louco, já disse!
As bruxas correram para ele com um uivo de triunfo, ao verem que não oferecia
resistência. Anões e macacos malignos chegaram de todos os lados para ajudá-las.
Deitaram o Leão de costas. Amarraram-lhe as quatro patas, gritando e dando vivas, como
se tivessem cometido um ato de bravura. Claro que, se o Leão quisesse, uma patada seria
a morte para eles. Mas ficou quieto, mesmo quando os inimigos rasgaram a sua carne de
tanto esticarem as cordas. Depois, começaram a arrastá-lo para o centro da mesa.
— Alto! — disse a feiticeira. — Primeiro, cortem-lhe a juba!
Uma gargalhada mesquinha ressoou quando um ogre, de tesoura na mão, avançou
e se pôs de cócoras junto da cabeça do leão. Zip, zip, zip — a tesoura rangia, e montes de
caracóis dourados tombavam ao chão. O ogre afastou-se, e, do esconderijo, as meninas
puderam ver o rosto de Aslam, pequenino e tão diferente sem a juba! Os inimigos também
notaram isso:
— Vejam: não passa de um gatão!
— E é disso que a gente tinha medo?
Rodearam Aslam, zombando dele a valer:
— Miau! Miau! Coitadinho do bichano! Quantos camundongos você papou hoje?
Quer um pires de leite, bichinho?
— Que audácia! — disse Lúcia, com lágrimas correndo pelo rosto. — Perversos!
Malvados!
Passada a primeira impressão, a cara tosquiada de Aslam parecia-lhe ainda mais
valente, mais bela e mais resignada do que nunca.
— Amordacem-no! — gritou a feiticeira. Mesmo agora, quando lhe punham a
focinheira, uma dentada dele bastaria para decepar, pelo menos, as mãos de dois ou três.
Ao vê-lo amordaçado e amarrado, os mais covardes ganharam ânimo. Por instantes, as
meninas nem sequer conseguiram vê-lo, rodeado como estava por aquela horda infernal,
que lhe batia, dava pontapés, cuspia-lhe em cima, insultava-o.
Por fim a turba ficou cansada. E o Leão, amarrado e amordaçado, foi arrastado
para a Mesa de Pedra, puxado por uns, empurrado por outros. Era tão grande que, mesmo
depois de o terem arrastado até lá, só com o esforço de todos foi possível içá-lo e colocá-lo
em cima da mesa. Depois, amarraram-no e apertaram-lhe outra vez as cordas.
— Covardes! Covardões! — soluçava Susana. — Será possível que ainda tenham
medo dele?
Logo que acabaram de amarrar Aslam à Mesa de Pedra (mas tão amarrado que
mais parecia um novelo), fez-se silêncio. Quatro bruxas, aos quatro cantos da mesa,
erguiam seus fachos. A feiticeira desnudou os braços, como fizera na noite anterior com
Edmundo. Depois, começou a afiar o facão. Quando o brilho do facho caiu sobre ele,
Susana e Lúcia acharam que o facão era de pedra e não de aço, e tinha uma forma
esquisita e nada agradável.
Por fim a feiticeira aproximou-se. Parou junto da cabeça do Leão. Seu rosto
vibrava e contorcia-se de ódio. O dele, sempre calmo, olhava para o céu, com uma
expressão que não era nem de ira, nem de medo, um pouco triste apenas. Um momento
antes de desferir o golpe, a feiticeira inclinou-se e disse, vibrando com a voz:
— Quem venceu, afinal? Louco! Pensava com isso poder redimir a traição da
criatura humana?!
Vou matá-lo, no lugar do humano, como combinamos, para sossegar a Magia
Profunda. Mas, quando estiver morto, poderei matá-lo também.
Quem me impedirá? Quem poderá arrancá-lo de minhas mãos? Compreenda que
você me entregou Nárnia para sempre, que perdeu a própria vida sem ter salvo a vida da
criatura humana. Consciente disso, desespere e morra.
As meninas não chegaram a ver exatamente este último momento. Tinham tapado
os olhos.”
(treco do livro: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, de C.S. Lewis.)
Lembro-me como se fosse hoje, eu com meus 6 anos, minha irmã com 5, era fim de ano de 1998. Estávamos na casa da minha tia, em Salvador, Bahia, e minha mãe acabara de ler esse trecho do livro. Minha irmãzinha estava aos prantos, soluçava, eu, igual a todo garoto, me fazia de durão, e engolia o choro. Era possível ver em nossos olhinhos a inconformidade pela morte de Aslam (que mesmo sem culpa se entregou no lugar de um traidor, para que este não fosse morto.). Como poderia o todo-poderoso Leão se entregar e ser tão humilhado, zombado e por fim morto de forma tão brutal? Não estava certo. Não podia acontecer isso. Ele tinha que vencer. Tinha que ter matado a todos naquela hora. Mas não, o GRANDE Leão como uma ovelha no matadouro não gritou, não chorou, não tentou se desvencilhar, não tentou fugir, não amaldiçoou, não estava bravo. Estava apenas triste. Se entregou. A cena está viva na minha memória, minha mãe fecha o livro, coloca-nos em seu colo e diz:
-Vejam, isto que o Aslam fez é a mesma coisa que Jesus fez por nós. Ele se entregou na cruz, para morrer, mesmo sem pecado algum, em nosso lugar, pois nós somos pecadores, nos erramos, e nós o traímos, a cruz era para a gente, não para Ele, mas por amor, a maior prova de amor que já existiu, Jesus morreu no nosso lugar.
Esta foi a 1ª vez que eu ouvi alguém me falar sobre o plano da salvação, do que Jesus havia feito por mim, o quanto Ele me amou, que soube que por causa do sacrifício Dele meus pecados são perdoados, por Seu sangue eu sou lavado. Naquela noite eu descobri que ninguém me amou, ou amaria, mais do que Jesus Cristo. Talvez eu tenha demorado um pouco mais para entregar minha vida nas mãos deste amor em forma de homem.
Ahhh, o fim da história:
“No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres tomaram as especiarias aromáticas que haviam preparado e foram ao sepulcro.
Encontraram removida a pedra do sepulcro,mas, quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus.
Ficaram perplexas, sem saber o que fazer. De repente dois homens com roupas que brilhavam como a luz do sol colocaram-se ao lado delas.
Amedrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão, e os homens lhes disseram: "Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive?
Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galiléia:
‘É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia’ ".””

Lucas 24:1-8

Nem a morte foi capaz de deter meu Salvador.  Hoje Ele vive.

P.S.: Obrigado mãe por ter me apresentado este amor tão lindo.