sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

MEDO DO ESCURO.




5 anos. Era a idade dele. Uma criança comum. O nome de sua certidão de nascimento não importava, todos conheciam era o Menino, só os mais íntimos o chamavam de Zé. Era daqueles garotos que vivem correndo por aí. Não tinha nada que chamasse atenção ao bater o olho nele. Cabelos escuros, tigelinha, só os óculos que lhe saltavam as vistas.
Família Cristã protestante. Da denominação não me lembro. Papai, mamãe, irmã. Não eram tantos que moravam em sua casa, mas muitos viviam lá. Pais amorosos, que erravam, acertavam (mais que erravam). Uma boa família para se ter.
O menino era alegre, sempre com um sorriso sincero, um riso fácil, uma piada pronta. Levado na medida certa, que lhe rendia primorosas palmadas. Gostava mais de jogar bola do que televisão, mais ainda de sonhar, matar dragões, salvar princesas, prender bandido. Destemido, queria fazer parte da mesa redonda do Rei Arthur.
Seu dia era simples. Pela manhã no Jardim III (Talvez hoje seja pré, ou 0,1ª série, -5º ano, sei lá). Almoço. Brincar. Banho. TV. Janta. Orar. “Em paz me deito e logo pego no sono porque só o SENHOR me faz repousar seguro. Dormir.
O problema estava aí. Depois de “seguro” e antes de dormir. Ao apagar as luzes seu sofrimento começava. As trevas avançavam rapidamente por seu quarto, ele estava no tenebroso escuro. Um submundo desconhecido, cheio de monstros, bichos-papões, cucas, fantasmas.
Neste momento suava frio, engolia o choro. Olhos fechados, o sono parece também ter se assustado e fugido. Não tinha força para lutar, era pior do de dragões e maribondo bravo, juntos.
Todos os dias a cena se repetia. Só era feliz em dia de visita, ia dormir enquanto a casa estava cheia de vozes e luz. Infelizmente, para ele, nem todo dia é assim, na verdade a minoria é deste jeito.
Noite de tempestade. Zé acuado no canto da cama, não agüenta, e expõe seu medo. Choro. A água escorre na janela e as lágrimas pelo rosto. Passos. Monstros? Não, é seu herói. Papai, mesmo sonolento, veio lhe salvar. Mágica, luzes acesas.
Por que o choro? A história confidenciada ao chefe. O pai não faz pouco caso dos monstros, ele sabe que eles existem, só não vai assustar o moleque.

-Vem cá filhão, vou te contar uma coisa. Existe uma arma contra a escuridão: a Luz, ela bate na escuridão, até ela se afastar e fugir. Jesus, disse que somos luz neste mundão, e que a Luz dEle brilha em nós, e você sabe, tem alguém mais forte que Ele? Não, NE Zé Mané!? Então, deita aí meninão, e quando for ficar com medo, lembre: a escuridão não pode com Cristo, e Ele está aí, no seu coração, a brilhar.
    Um Beijo na testa. Levanta-se e vai sair. O menino, de tão ingênuo, acreditou sem pestaneja em tudo o que o pai falará, não havia duvida alguma que era verdade. Mas o engraçado é que ao ver a porta fechar, o agora José, não tinha mais medo do escuro, era a escuridão que o temia agora. 

Um comentário:

  1. Poxaaa, as vezes seria mais fácil ter a ingenuidade de uma criança e acreditar sem titubiar no que nosso Pai nos diz.
    Gosto desse aqui tbm hehehe
    Bjones

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