sábado, 31 de dezembro de 2011

PAZ.



  (obra "Os Retirantes" de Cândido Portinari) 


Tempos como estes nunca mais viveremos, nunca mais veremos. Sinto os ventos a soprar. Eles batem em meu rosto. Lembram-me que as nuvens vem ao longe, já não tão distante. O Sol está à espera. Algo nunca antes visto na minha história. As férias acabaram, é o início de uma vida. A brincadeira acabou, a festa terminou. Agora é trabalho. É a luta que se inicia. Graças a Deus. O marasmo já não existe.
     Tempos nebulosos se aproximam. Tempos onde o silêncio será ordenado e que não iramos nos calar. Sinto a tempestade a se aproximar. E abro um sorriso. É a hora, esta é a nossa hora. Onde não poderemos mais ficar sentados a espera da banda passar. Não há espaço para preguiçosos e sonolentos, acomodado. Fim do mundo? Talvez seja um recomeço. Marcado não por panelaços (como os dos nossos hermanos) ou marcha GLBT, ou marcha pra Jesus, ou a favor da maconha. Sinto que o barril está quase que cheio de pólvora. A situação caminha para um caminho sem volta. Nossa nação não será mais a mesma, nossa igreja será Igreja de Cristo, com I maiúsculo. Não virá nada de graça. Haverá perdas, suor e lágrimas.
     Já posso ouvir o som das águas a caírem, ao longe não tão longe. Os trovões como tambores anunciam a batalha. Um batalha que já começou, silenciosa, há algum tempo. Mas que se mostra quase pronta a ganhar voz, as ruas. Infelizmente, ou feliz, mudanças reais e necessárias nunca surgem de forma pacífica, de comum acordo. Não há vitória sem luta, não há ganho sem perda, não há vida sem morte. É necessária matarmos aquilo que nos aflige, nos tem calado, angustiado. Chega de sistemas impostos e ditatoriais, chega de sermos apenas massa a se tornar o pão que o diabo amassou. Não mais. Abram os olhos, destampem os ouvidos. A chuva chegou. Veio lavar nossa alma, levar nossos orgulhos, nossos egos. É necessário estarmos nus para tempos como estes, onde não haverá roupas, fantasias, mascaras, apenas armaduras.
     Chuva, tire a sujeira de meus olhos. Não quero continuar cego para a minha realidade. Não quero continuar surdo para as vozes que clamam socorro. Não quero ficar calado diante de ouvidos que só tem escutado o conforto, e não o confronto. Raios e trovões, abalem as estruturas. Acabe o marasmo. Cessem os aplausos. Até quando não incomodaremos? Até quando seremos tão coniventes, complacentes, e amigos da situação deprimente em que se encontra nosso país, que apareceremos como estrelas na máquina de dominação social chamada televisão (principalmente na maior emissora, e mais manipuladora)? Até quando faremos pacto com o diabo para teoricamente anunciarmos o evangelho de Cristo? Até quando nos preocuparemos com holofotes e não com a fome, material, emocional e espiritual que nos cerca? Até quando vamos nos prostituir em busca de poder ao invés de amarmos os que estão ao nosso redor?
     Espero que não neste ano. Não disse acima o que acredito que irá acontecer ano que vem, mas é o que quero que já tenha começado, e que aumente ainda mais. Queria ver uma geração inconformada com essa merda onde estamos mergulhados, e que nos fazem acreditar que é um mar de rosas. Uma geração, cristã neste caso, que não irá se vender, não se acomodará e passará do banco da igreja não pro púlpito mas para as ruas, para COMEÇAR a morrer, e deixar que Cristo viva através de nós. Quero poder olhar e sorrir, ao ver a luta a acontecer em nossa terra. Não quero sangue, mas quero que este sistema de dominação e marginalização morra através de nossas mãos, de nossas orações e de nossas ações. Espero ver que esse sistema de caudilhos, ou coronéis (depende da região em que vive) dentro da igreja, e no comando de nosso país, seja questionado e enfrentado. Não com rebeldia, mas com consciência de que a culpa de perpetuação da injustiça social, econômica e racial é culpa nossa, de nosso silêncio, de nosso conforto aparente.
     Não desejarei votos de paz, saúde e alegrias para você. Desejo mudanças, consciência, ação e choro. Choro pelas vidas que estão sendo tragadas pela nossa situação alienada, hedonista e egoísta.
     Que em 2012 não fiquemos com essa paz industrializada que não quero, “Pois paz sem voz, não é paz, é medo.”. Que a Paz, a verdadeira Paz de Cristo inunde seu coração, e que possamos levar essa paz a nossa realidade, através de ações, e não apenas boa vontade.

     Feliz Ano Novo pra você que sabe que a vida não é um conto de fadas.
“Pois as suas mãos estão manchadas de sangue, e os seus dedos, de culpa. Os seus lábios falam mentiras, e a sua língua murmura palavras ímpias.
Ninguém entra em causa com justiça, ninguém faz defesa com integridade. Apóiam-se em argumentos vazios e falam mentiras; concebem maldade e geram iniqüidade.
Chocam ovos de cobra e tecem teias de aranha. Quem comer seus ovos morre, e de um ovo esmagado sai uma víbora.
Suas teias não servem de roupa; eles não conseguem cobrir-se com o que fazem. Suas obras são más, e atos de violência estão em suas mãos.
Seus pés correm para o mal, ágeis em derramar sangue inocente. Seus pensamentos são maus; ruína e destruição marcam os seus caminhos.
Não conhecem o caminho da paz; não há justiça em suas veredas. Eles as transformaram em caminhos tortuosos; quem andar por eles não conhecerá a paz.
Por isso a justiça está longe de nós, e a retidão não nos alcança. Procuramos, mas tudo é trevas; buscamos claridade, mas andamos em sombras densas.
Como o cego caminhamos apalpando o muro, tateamos como quem não tem olhos. Ao meio-dia tropeçamos como se fosse noite; entre os fortes somos como os mortos.
Todos nós urramos como ursos; gememos como pombas. Procuramos justiça, e nada! Buscamos livramento, mas está longe!
Porquanto são muitas as nossas transgressões diante de ti, e os nossos pecados testemunham contra nós. As nossas transgressões estão sempre conosco, e reconhecemos as nossas iniqüidades:
Rebelar-nos contra o Senhor e traí-lo, deixar de seguir o nosso Deus, fomentar a opressão e a revolta, proferir as mentiras que os nossos corações conceberam.
Assim a justiça retrocede, e a retidão fica à distância, pois a verdade caiu na praça e a honestidade não consegue entrar.
Não se acha a verdade em parte alguma, e quem evita o mal é vítima de saque. Olhou o Senhor e indignou-se com a falta de justiça.
Ele viu que não houve ninguém, admirou-se porque ninguém intercedeu; então o seu braço lhe trouxe livramento e a sua justiça deu-lhe apoio.
Usou a justiça como couraça, pôs na cabeça o capacete da salvação; vestiu-se de vingança e envolveu-se no zelo como numa capa.
Conforme o que fizeram lhes retribuirá: aos seus inimigos, ira; aos seus adversários, o que merecem; às ilhas, a devida retribuição.
Desde o poente os homens temerão o nome do Senhor, e desde o nascente, a sua glória. Pois ele virá como uma inundação impelida pelo sopro do Senhor."O Redentor virá a Sião, aos que em Jacó arrependerem-se dos seus pecados", declara o Senhor.  
"Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles", diz o Senhor. "O meu Espírito que está em você e as minhas palavras que pus em sua boca não se afastarão dela, nem da boca dos seus filhos e dos descendentes deles, desde agora e para sempre", diz o Senhor.”

Isaías 59: 3-21

Um comentário:

  1. Felizzzzzzz Ano Novooooooooo o/
    Desejo que Deus continue te inconformando com este século, com as pessoas, com o sistema, com a igreja, com os líderes, com o que está sendo pregado, cantado, ministrado e com as atitudes. Mas que além do inconformismo, que nasça em seu coração o desejo de mudar, o agir para mudar, as estratégias para alcançar vidas, para levar a verdade que libertará os cativos e isso tudo para um fim, glorificar o nome de Deus e te fazer experimentar a boa, agradável e pefeita vontade do Pai :)
    Sr. Moço, que o ano de 2012 seja um ano sobrenaturalmente sensacional e te surpreenda em todas as áreas.
    No mais, Tamo Junto \o/ uhuuuuuuu

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