segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

SIMPLES



Simplicidade. Tão bela e esquecida. Ela que nos ensinou desde sempre que há mais filosofia numa sola de sapato que num livro.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O CÃOZINHO




Tenho que compartilhar com vocês.

Acabei de ver aqui na esquina, um cachorro, não dava pra ver direito, tava embrulhado numa trouxa de cobertores, com uns papelões.

sábado, 17 de novembro de 2012

A SAUDADE




     Ele já caminhou alguns quilômetros. Está em uma pequena cidade. Anda lentamente pelas ruelas. Os paralelepípedos o lembram de um tempo bom. As janelas o observam.

sábado, 22 de setembro de 2012

DEBAIXO DO ASSOALHO




“Seu pai era um bêbado e sua mãe chorava na cama
Dobrando as camisetas de John Wayne, quando o balanço acertou sua cabeça
Os vizinhos, eles o adoravam
Pelo seu humor e sua conversa
Olhe debaixo da casa
Ache algumas coisas vivas, apodrecendo rápido, em seu sono
Oh, os mortos
Vinte e sete pessoas
Talvez mais, eram garotos, com seus carros e empregos de verão
Oh meu Deus
Você é um deles?
Ele se vestia como um palhaço para eles
Com seu rosto pintado de branco e vermelho
E em sua melhor atitude
Num quarto escuro, na cama ele beijou a todos.
Ele mataria dez mil pessoas
Com a leveza de sua mão, rompendo longe, rompendo rápido nos mortos
Ele tirou toda as suas roupas por eles
Ele pôs um pano em seus lábios, mãos silenciosas, beijo silencioso na boca
E na minha melhor atitude
Eu sou igualzinho a ele
Olhe debaixo das tábuas do assoalho
Para os segredos que escondi”

terça-feira, 4 de setembro de 2012

VIVER




Acordar.
Levantar.
Urinar.
Vestir.
Comer.
Escovar.
Arrumar.
Sair.
Andar.
Chegar.
Trabalhar.
Parar.
Trabalhar.
Almoçar.
Trabalhar.
Sair.
Subir.
Sentar.
Estudar.
Ouvir.
Ver.
Correr.
Entrar.
Trocar.
Deitar.
Fechar.
Dormir.
Sonhar.
Acordar.

domingo, 5 de agosto de 2012

O CAMINHAR



     Ele corre. Corre como se sua vida dependesse disso. Depende. Ele não consegue parar. Nunca. Não existe meio termo, ou ele corre, ou regride. Ele só para quando caí. É aqui que nos encontramos. Está caído, no escuro. O túnel parece não ter fim. Machucou-se na queda. Ele sabia que deveria evitar aquele caminho, mas fingiu que nada sabia. Ele fez tudo errado, a culpa era dele, e isso o consumia, lentamente.

domingo, 15 de julho de 2012

A VIDA



      Não há riso sem antes ter o choro. Não há prazer sem dor. Não há vitória sem uma luta. Não há coragem sem medo. Não há abundância sem antes escassez. Não se é forte sem ter sido fraco. Não há vida sem morte.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

PAI E FILHA.



                Só mais uma quinta-feira. Já passará das 10 da noite, estranhamente calma. Uma noite de outono. Sem nuvens, sem lua. Somente estrelas e um leve vento fresco. Nada de carros buzinando, cachorros latindo, ou helicópteros voando. Nada, só o som da brisa batendo nas cortinas de seu quarto. Ela estava deitada, meio acordada, meio dormindo. A luz se acende.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

HERE COMES THE SUN



     Ela estava envolta em seus braços. Era mais uma madrugada fria de inverno que se arrastava. As lágrimas por pouco não congelavam ao escorrerem em seu rosto. A angústia machucava mais do que o vento gelado que cortava sua pele.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O MERGULHO



     Ele já estava ali fazia alguns minutos. Parado. Estático. O sol queimava lhe as costas, na tentativa de força-lo a se mover. Nada. Os olhos fitavam aquele grande espelho molhado. Seus óculos já haviam embaçado. Os braços estendidos ao lado do corpo, com vontade de juntá-los para uma prece. O cabelo fino balançava com o vento, as pernas finas tremiam, mais de ansiedade do que de frio.

sábado, 12 de maio de 2012

NADA


Analisando bem o tema a ser dissecado aqui consigo imaginar que talvez, e somente talvez, você queira saber do que tenho a falar, porque sendo assim, se interessa, e este interesse sincero, e quase inocente o leva a percorrer cada linha do texto com uma fome, não de comida como no nordeste, nordeste que parece fogueira de são joão, como diria Luis Gonzaga, no hino chamado Asa Branca, branca como a noite, e leve como um elefante.

terça-feira, 8 de maio de 2012

LEVE E MOMENTÂNEO...



Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. 
2 Coríntios 4:16-18

domingo, 8 de abril de 2012

CARTAS DE UM DISCÍPULO CHAMADO JOSÉ.



    5 da manhã. Não consigo dormir. Meus olhos inchados de tanto chorar já secaram. A dor não passa, porem o que mais dó é a falta de esperança. Acabou. Ele morreu. Nosso mestre foi assassinado sem reagir. Suas palavras de vida eterna já se foram. Onde está nossa libertação? O messias morreu. E junto com ele foram enterrados todos nossos sonhos. Aquele que prometera o céu, está debaixo da terra agora. Tudo em que eu cria foi desfeito. Terá sido tudo mentira?

sábado, 10 de março de 2012

DUAS PALAVRAS



    Ao todo já somos mais de 7.000.000.000 de habitantes no planeta terra. Só no Brasil passamos dos 190 milhões. Na grande São Paulo chega a 20 milhões. Só na Capital a 12. No último ano mais de 22 milhões de bebês nasceram. Por dia quantas pessoas você vê, seja na rua, escola, faculdade, trabalho, casa?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A VIDA É BELA.


   A vida é bela. E sua beleza está nos nossos erros. A vida é bela porque é imperfeita. Nós não sabemos lidar com a perfeição. Repare em um quadro. Quando não há um misero erro, nenhuma imperfeição em suas linhas, em seus traços, olhamos aquilo com certa estranheza, reclamamos que não é real.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

É HORA DE AGIR.

 
    De um lado está o mar, do outro vem um exército poderoso, uma multidão indefesa neste meio, crianças a chorar, velhos a resmungar, homens a fingir não sentirem medo. Moisés seu líder vai orar. A resposta de Deus: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem”. (Êxodo 14:15)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

UMA MANHÃ NUBLADA.

    Já havia tempo que só havia choro em sua alma. Suas lágrimas secaram, mas seu coração soluçava dia após dia. Um inverno sem fim. Não havia vida. Não havia uma voz, uma canção. Não havia nada. A dor consumia até seus ossos. Vazio. Era tudo o que ele tinha. Um grande vazio, de ideias, emoções, sonhos, prazeres.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

NÃO EXISTE AMOR EM SP




São Paulo – SP, dia 7 de janeiro de 2012. Saio do metrô, estação santa Cecília. Vou em direção a faculdade presbiteriana Mackenzie. São 7 da manhã. Caminho normalmente. Sol um tanto quanto tímido. Belas calçadas. Belos ternos. Belas bolsas Victor Hugo. Belos carros. Belos restaurantes. Árvores. Continuo a caminhar. Penso na matrícula que estou para fazer. Penso no café da manhã. Penso no livro que me espera em casa. Penso no vento fresco que bate em meu rosto. Penso em pequenezas da vida.
    Não há o que reclamar. Tênis novo no pé. Um ticket de metrô no bolso, alguns trocados na carteira. Um belo hospital chega mais perto, provavelmente particular. Lindos vitrais. Lindos portais. Tijolinhos a vista. Só que há alguma coisa destoa da paisagem. Há algo ali, que não deveria estar. Aproximo-me, é, realmente, não estava enganado. Uma mulher, deitada no chão, cabelos desgrenhados, coberta, com alguma blusa velha. Não tem forças para me pedir dinheiro, apenas vejo a falta de vida em seus olhos.  Alguns passos, há um homem, situação tão desesperadora quanto a vítima, quer dizer, mulher por quem acabara de passar. Seus olhos gritam, não menos que sua garganta, que clama por dinheiro, alguns trocados, para comer, ou talvez, tomar uma pinga, mais barata que pães, e que esquenta sua alma vazia e fria. “Não tenho dinheiro” minto eu. Um hipócrita medroso. “Deus te abençoe” é o que recebo em troca. Continuo meu caminho. Inconformado. Na região das “gente diferenciadas”, de seus ternos armanis, sua bolsas louis vuitton e seu nikes no pé, temos ali, alguém, atrapalhando o trafego, no passeio público, sem ninguém que nem ao menos olhe na sua cara. “É assim mesmo”.
    Fazer o quê né? O quê? Qualquer, menos continuar nesse meu frio caminhar indiferente. Lembro. Um mercado a poucos metros. A solução.  6 pães, um pouco de mortadela. Vou pagar, sem peso de gastar. E não vou gastar, é até que barato, pouco pra mim, muito pra ele. Não gastei 5 minutos. Nem 5 reais. Uma nota de 5. Volta troco. Sacolinha nas mãos. Saio, com o sentimento de missão cumprida. Quer dizer, penso em sair. Porque ao olhar para fora preferia ter visto um bixo, um leão, um cachorro bravo, um vespeiro, qualquer coisa, menos aquilo. Um homem, um ser humano, como eu, você, seus pais, filhos, irmãos, amigos, marido, esposa, debruçado, atrás de um tesouro em meio ao lixo. Não consigo dar mais de 3 passos. Engulo o choro, entrego a sacolinha com algo tão simples, tão pouco, mas vale mais que ouro para aquele homem. E continuo meu caminho. Com algumas lágrimas. Menos do que imaginei. Mais do que estou acostumado.
    Passam algumas horas. Volto ao mesmo local. Não há mais nenhum deles ali. Nem a mulher, nem os homens. Devem tê-los expulsados, nem que seja só com seus olhares, ou com a falta deles. Não fez muita diferença para a maioria das pessoas que ali passavam ou que passarão.  Não quero te chocar, te emocionar. Isso não faz mais diferença. Isso não muda merda nenhuma. Só lembre que eles não são animais, que você tem muito mais do que precisa. Lembre que  moradores de rua sentem fome, mais que você; tem emoções, mais judiadas que as suas; passam frio, como você nunca passará; vivem em constante perigo, como você nunca saberá.  Vivemos num mundo cão. Tratamos bixo como se fossem homens, tratamos homens como se fossem bixos. Durma uma noite na rua, fique 3 dias sem comer, sem tomar banho, sem ter com quem conversar. Então vá pedir dinheiro para comer, talvez você se importe, ou não, já que voltara para sua casinha, tomara um banho quente, comerá uma comidinha, entrara na internet, usara seu iphone, ouvira uma música no seu ipad, talvez de uma volta de carro, e irá dormir na sua cama confortável. É, realmente, que vida dura nós temos. Difissilíma, fácil é dormir sobre o luar, com a companhia dos rejeitados e marginalizados,  na aventura de não saber se terá o que comer. Continuemos vivendo na aparência, voltados para nosso próprio ego hipertrofiado. É muito fácil ignorar. É comodo não ajudarmos. Talvez sejamos todos sádicos que nos alimentamos das almas atacadas por nossa indiferença todos os dias. Deus tenha misericórdia de nós, somos uma nação perdida.
    
   Tenho que concordar com Criolo, não existe amor em SP...
“São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você
Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu”

(trecho de “não existe amor em SP” do rapper Criolo”)