domingo, 15 de julho de 2012

A VIDA



      Não há riso sem antes ter o choro. Não há prazer sem dor. Não há vitória sem uma luta. Não há coragem sem medo. Não há abundância sem antes escassez. Não se é forte sem ter sido fraco. Não há vida sem morte.
     Enquanto Ele caminhava pelo calvário, só havia choro, dor, luta, medo, escassez. Ele caminhava para a morte e ela estava a sua espera, babando, com os dentes a mostra, como uma fera a espera de sua presa. Ela urrava, bramia. Ele somente a olhava nos olhos, a encarava, sem reclamar. Uma ovelha em direção ao matadouro.
     Pensamos sermos fortes. Pensamos que conseguiremos melhorar. Pensamos que seremos capazes de grandes feitos. Sonhamos. Planejamos. Erramos. Fracassamos. A esperança esvai diante de nossos olhos. Atônitos, vemo-nos sem saída. Encurralados pela morte. Ela nos espera, babando, com os dentes a mostra, como uma fera a espera de sua presa. Ela urra, brami. Nós choramos. Temos muito medo.
     Ele está pendurado no madeiro. Sem forças, com os braços abertos. Ergue seus olhos uma vez mais aos céus: Está CONSUMADO! O último brado, que fez a terra tremer. Sua cabeça pende. É sexta. Ele está morto. Não há esperança. É o fim. A morte venceu.
     Estamos entregues. Não sonhamos. Não amamos. Não cremos. Não vivemos mais. Apenas morremos. Todo resquício de força nos fora tirado. Todo sopro de vida se esvaziou. Caímos em desespero. Não há para onde ir. Não a perspectiva de mudança. Respiramos fisicamente, mas nosso coração já não bate mais.
     Domingo de manhã. 3 dias morto. Esperem? Não é possível. Aquelas mulheres devem estar loucas. Mas e Pedro, também estaria? É Ele. Glorificado. Ressurreto. VIVO. Cristo está vivo. Ele venceu a morte. Do morrer Ele criou um novo viver. Da dor, nasceu o mais lindo prazer. Dá grande batalha, nasceu à vitória de uma guerra. Do medo, vem à coragem descomunal, a fé. Da fraqueza veio uma força sobrenatural, sobre-humana. Do choro, fez-se o riso. Da morte, nasceu a vida.
     Do canto acuado, da morte de seus sonhos, de seus planos, quando chegamos ao fim, quando a estrada acaba, quando não há mais soluções, parece não existir solução. Mas é só nessa hora, que iremos perceber que somos fracos, que somos medrosos, que somos pecadores, por natureza. Que não conseguiremos mudar, melhorar, ser feliz, por nós mesmos. Veremos que não há esperança em nós. E neste momento, quando tudo tiver morrido em nós, enfim, poderá nascer a vida, a verdadeira vida.
     Pois é preciso matar nossa carne, nossos desejos, nossas vontades, o ego, o “Eu” e muitas vezes isto parece o fim da linha, a estação final. Mas se alegre neste dia, quando estivermos mortos para nós mesmos, quando a única solução que possuir for olhar para a cruz vazia, então você terá achado a vida. A Vida Eterna, a Vida em Abundância. Veja Cristo se levantar acima da morte, com a vitória em suas mãos, triunfante, te dando sonhos, esperança, forças, amor, alegria e paz, que excede todo entendimento. Então a morte virá babando ao nosso encontro, com a certeza de sua vitória, querendo nos assustar, então olharemos em seus olhos, e com um sorriso no canto da boca, bradaremos em alto som:

 “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, morte, o seu aguilhão?”

Um comentário:

  1. Tudo o que eu precisava ouvir de Deus, esta neste texto. Só podemos ter uma nova vida a partir do momento em que morremos pra nós mesmos!
    Que Deus te abençoe, grandemente!

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