segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O CÃOZINHO




Tenho que compartilhar com vocês.

Acabei de ver aqui na esquina, um cachorro, não dava pra ver direito, tava embrulhado numa trouxa de cobertores, com uns papelões.

Parece ter sido abandonado. Estava bem magro. Cheirava mal. Uma dó. Deve estar comendo comida do lixo, bebendo água suja. Uma Crueldade.

Como alguém pode ser capaz de largar um pobre animal na rua assim, né galera? Um absurdo. Tinha uns moleques bestas passando do lado, apontaram pra ele e riram. Uns desalmados.

Tanta gente passa comendo do lado dele e não dão nada pro coitado comer, vejo aqui da janela, enquanto escrevo.

Estou preocupado. O tempo está fechando, acho que vai chover, será que alguém não pode mesmo ficar com ele? Meu apartamento é muito pequeno, não posso pegar ele. Mas to vendo que não tem jeito mesmo.

Ninguém? Sério? Acho que vou busca-lo. Corta meu coração ver um ser, tão dócil, tão meigo, ali indefeso.

Aiiii! Chutaram o cãozinho! Seus SAFADOS! Parem de correr moleques, vou descer aí pra pegar vocês...

Desculpem-me, já volto, vou lá pegar aquele animalzinho, que já ignoraram, chutaram, mal trataram, e agora vai começar a chover.

Aí gente... foi mal, voltei. Desculpa fazer vocês perderem o tempo lendo isso. Me preocupei a toa, não era um cachorrinho, era só mais um mendigo. Ufa. Que susto, não vai ser preciso fazer nada, talvez só dar uma ligadinha pra policia tirar ele dali. Mas vou poder dormir em paz sabendo que não tem nada com que me preocupar. Beijos.

“Vi ontem um bicho 
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.”

“O Bicho”, Manoel Bandeira.

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