domingo, 17 de fevereiro de 2013

UMA NOVA MANHÃ




     O sol invade o quarto incomodando lhe os olhos. Está quente. Ele não sabe que horas são. Um ventilador branco de teto range metricamente. Abafado, a garganta seca. A cama incomoda. Levantar é um martírio. Ele não mexe os olhos. Conta uma a uma as rachaduras na pintura do teto.

     De pé, olha o relógio. Não está atrasado pro trabalho. Meio cambaleante caminha até ao banheiro. Olhos no espelho. Ainda é difícil de reconhecer. A barba não está mais lá. O cabelo está bem aparado. Um banho.

     Ele já está acordado. O café não está na mesa. Nescafé, porque o tempo é curto. Pão com manteiga. Uma dieta equilibrada. Pensa em pegar uma maçã. Esquece depois. Esquecer... uma coisa que nunca muda.

     Veste a armadura, pegue suas armas. Há marcas em seu rosto. O rosto de menino sumiu. O cabelo comprido, as pulseiras, a barba mal feita, também sumiram. Ele se encara no espelho. Não é mais o mesmo.

     Gostava de Che, Lenin, Mariguela. Hoje prefere Luther King, Paulo Freire, Tolstói. Queria mudar o mundo. Ainda quer, mas sabe que talvez não consiga. Talvez. Entende que guerra não traz paz. Seus heróis morreram de overdose, mas ele não procura mais encontrar uma ideologia. Ele que foi encontrado. Antes era um sonhador, mas passou a viver a vida.

     Antes falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Agora se tornou homem e deixou para trás as coisas de menino. Ok talvez nem tanto, mas pelo menos ele tenta.

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