quarta-feira, 27 de março de 2013

AGUENTOU



Ele vem andando. São umas 6:45, o dia esta amanhecendo. O Sol bate as suas costas. Calça jeans, camiseta preta, jaqueta, all-star e uma mochila. Ele gosta de manter a pose de rebelde.
Já passou por varias estradas. Por campos de centeios. Canaviais Carnavais. Caiu, levantou, caiu, ficou lá caído, levantou de novo, caminhou. Quis correr, se machucou. Passou tanto pelo vale da sombra da morte, como repousou em verdes pastos verdejantes, puxado no verde. Aguentou.
Quis ser herói, foi vilão. Tentou ser protagonista, virou ajudante de palco. Foi pra assistir, acabou com o microfone na mão. Dane-se. Continuou “on the road”.  Aguentou.
O que nunca esquece é um dia, antes disso tudo quase, que mudou sua vida. Uns dizem que ele ouviu uma musiquinha tocando, bobinha, e começou a chorar dizendo que queria ser uma florzinha de Jesus. Outros afirmam que o malandrão viu uma luz forte na estrada e ficou 3 dias cegos, mas terminou chorando por esse Jesus. Foi o único momento que ele não aguentou.
Então vem a frase. “Hold on”, em inglês porque ele era mala, mas em bom tupiniquim, o que escutou vindo do alto, e não era de uma caixa de som, é “Aguenta o tranco”. E a partir desse dia, ele só aguentou.
Por isso que quando caiu, levantou, mesmo que demorado. Quando tudo saiu ao contrário, aguentou.
Então ele caminha. Comendo e bebendo por aí. Conta suas histórias. Umas fantasiosas, outras um tanto tristes. Todas verdades, mesmo que de vez em quando ele aumente um ponto. Dizem que é novo. Outros que é velho. Eu já não sei. As lendas o seguem. Ou talvez ele que as procure. Não sei te dizer mais uma vez.
Já são 7:00, ele continua andando. Deve estar procurando uma padaria pra comer um pão com manteiga, e tomar um café com leite. Talvez ele discuta sobre um deus desconhecido, ou tenha que sair correndo de uma briga. Mas ele não parará de andar. Dizem que está começando a correr. Dizem que ele fala que está em uma corrida. Uma corrida onde sairá vencedor, se gaba. Uma corrida onde o prêmio é uma soberana vocação. Coisa de louco. Ah sim, ele é louco. Só para confundir os sábios. Então ele continua, aguenta o tranco, e vai.

Um comentário: