quarta-feira, 13 de novembro de 2013

WAIT FOR ME.

            


Está frio. O vento corta as paredes. O sol queima sem esquentar. As arvores estão secas. As ruas estão vazias. Todos se escondem em seus quentes lares gélidos. Ela vem caminhando. Lentamente. O casaco parece não existir. A bolsa pesa muito. Os pés latejam. A mão tremula. A boca seca. O coração pulsa, mas sem muita vida.

            Entra em casa. Está só. Está cansada. Tira o casaco, os sapatos. Joga a chave longe. A bolsa voa para o sofá. Água no fogo. Talvez um café ajude. Talvez não. Procura algo para por no pão amanhecido. Corta-se sem querer. Olha lentamente o sangue escorrer, aquele vermelho vivo sobre as mãos brancas e frias.

            Senta-se na frente da televisão. Xicara numa mão. Prato no colo. Olha para a tv sem vontade de liga-la. Um suspiro. Ela não aguenta mais. O café não tem gosto. Engole o pão como água. Mais um gole de café. Ela pensa no trabalho inacabado, as expectativas não correspondidas. Tenta em vão argumentar consigo que está se esforçando. A frustação impede o dialogo de acontecer.

            Ela quer gritar, mas não tem voz. A xicara treme em sua mão em um momento, está no ar no seguinte, em direção a parede. Ela observa o café escorrendo pela parede, os cacos da xicara caídos no chão. O caos se faz necessário. Escorrem algumas lágrimas, sem que faça força. Simplesmente escorrem. Nem um sorriso, nenhum soluço.

            O Pranto manso se torna num choro tórrido, nervoso. Ela não suporta mais. Seu peito dói, mas ela não irá morrer. Seus punhos fechados fazem o corte sangrar mais ainda. Ela sua. Entre sangue, suor e lágrimas ela se encontra. Não há mais nada.

            Gostaria de dizer que neste momento, ela desolada, aflita, um vento soprou-lhe o rosto e ela flutuou com ele, tendo todos seus problemas resolvidos. Mas não. Isto não aconteceu. A noite adentrou. O frio aumentou. O choro continuou até secar, sem, no entanto, cessar a dor que sentia.

            Era madrugada ainda. Quase dia. O café esfriara e grudara em definitivo na parede. Os cacos se espalhavam por toda a sala. Ela se levanta do sofá. Caminha até a janela e observa a cidade dormindo. Aproveita o vento frio. Ajuda a limpar os olhos. Toma um banho. Roupas novas. Maquia-se. Pega a bolsa. Gira a maçaneta e sai. Não sem antes ler aquela velha carta, de papel amarelado, escrita em letras tão bonitas:


“... mas amor, saiba, eu volto para te buscar. Eu prometo que volto. Espere por mim. Espere... falta pouco.”

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