terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

COMO PEREGRINOS E FORASTEIROS

Dorothea Lange - "Bindlestiff"

Somos peregrinos e forasteiros. Nós caminhamos e caminhamos por este mundão que não acaba nunca. Iremos atravessar rios, debaixo d’água, ou andando sobre ela. Passaremos por desertos longos e quentes, onde a água outrora abundante parecerá que irá acabar. Sobreviveremos, mas não sem marcas. Dormiremos no chão, em redes, em camas gigantes, em pé, sentados, dentro de ônibus e trens. Cearemos banquetes, e almoçaremos vento e poeira. Desejaremos a morte, um atalho, e graças a Deus, não seremos ouvidos. Cantaremos em todo o tempo, alegres e tristes, felizes e desanimados. Diremos que desistimos e seremos impelidos a voltar à estrada. Lutaremos, brigaremos, apanharemos, da vida e de pessoas às vezes queridas. Sentir-nos-emos sós em meio a multidões e muy bien acompanhados quando aos olhos de outros parecermos estar sozinhos. Iremos chorar de alegria e mais ainda de dor e tristeza. Riremos de nossa “desgraça” e de felicidade com as benções recebidas. Teremos os pés cansados, marcados pela estrada. O pó da terra estará em nossas roupas e em nossa pele. Em tudo deveremos dar graças, mesmo que ainda assim não façamos. Iremos correr eufóricos e às vezes tropeçaremos e cairemos. Outras vezes andaremos devagar e sempre para chegarmos longe. Buscaremos abrigo em cavernas, mas encontraremos refúgio sob as estrelas. Iremos acertar, errar, mas sem nos desviarmos do caminho. Acima de tudo, amaremos como fomos/somos amados, em tudo suportando uns aos outros. Assim caminharemos até os confins da Terra. Quem sabe um dia possamos ser aqueles os quais o mundo não era digno, mas com certeza, ao fim, estaremos, enfim, em casa, da qual nós não éramos dignos, mas pelo amor imensurável de Deus Pai e pelo sacrifício de Cristo fomos feitos filhos de Deus, como peregrinos e forasteiros a voltarmos para casa.

Anseio pelo dia que irei, “agora pra ficar” de vez, para casa, mas peço ao Pai que não me deixe esquecer do brilho das estrelas enquanto caminho.

“Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas
(Das Utopias, Mario Quintana.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário